[{"tipo":"EM","txt":"1. Consoante assinalado pelo eminente Min. Djaci Falc\u00e3o, a rescis\u00f3ria possui natureza excepcional, onde \u00e9 examinada uma presta\u00e7\u00e3o jurisdicional visando desfazer a imutabilidade decorrente da coisa julgada e, via de conseq\u00fc\u00eancia, desconstitui-se a decis\u00e3o judicial violadora ao direito objetivo, n\u00e3o se destinando, contudo, precipuamente, a corrigir poss\u00edvel injusti\u00e7a."},{"tipo":"EM","txt":"Por outro lado, importa acentuar-se que a estabilidade dos julgados \u00e9 imprescind\u00edvel \u00e0 ordem jur\u00eddica, que n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ficar comprometida ao sabor da mera interpreta\u00e7\u00e3o dos textos legais."},{"tipo":"EM","txt":"Nesse sentido, o princ\u00edpio que o art. 800 do CPC\/1939 expressamente consagrava, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"A injusti\u00e7a da senten\u00e7a e a m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o da prova ou err\u00f4nea interpreta\u00e7\u00e3o do contrato n\u00e3o autorizam o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.\"<\/I>"},{"tipo":"EM","txt":"Essa \u00e9 a jurisprud\u00eancia da Suprema Corte, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA.<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>(...)<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>Alcance da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria. A estabilidade dos julgados \u00e9 imprescind\u00edvel \u00e0 ordem jur\u00eddica, que n\u00e3o pode ficar comprometida ao sabor da mera interpreta\u00e7\u00e3o dos textos legais<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>Improced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.\"<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>(A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria n\u00ba 1.167\/DF, , Rel. Min. Djaci Falc\u00e3o, in RTJ 115\/61)<\/I>"},{"tipo":"EM","txt":"Ademais, pac\u00edfico entendimento, tanto da doutrina, como da jurisprud\u00eancia do Pret\u00f3rio Excelso, a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, pelo seu car\u00e1ter excepcional, n\u00e3o \u00e9 ju\u00edzo de reexame ou retrata\u00e7\u00e3o, \u00e0 semelhan\u00e7a do que sucede com os recursos ordin\u00e1rios, mas, isso sim, constitui instrumento processual id\u00f4neo \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o da ofensa clara e inequ\u00edvoca \u00e0 literal disposi\u00e7\u00e3o de lei, que configura o fundamento da conclus\u00e3o da decis\u00e3o. Nessa linha, a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9, pois, expurgar da senten\u00e7a o defeito grave, que a vicia por error in judicando (A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria n\u00ba754-GB, rel. Min. Aliomar Baleeiro, in RTJ 73\/338; A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria n\u00ba1.135-PR, rel. Min. Alfredo Buzaid, in RTJ 110\/505; Francesco Carnelutti, in <U>Sistema del Diritto Processuale Civile<\/U>, CEDAM, Padova, 1938, t.2, p.609, n\u00ba594, E. Glasson, Albert Tissier e Ren\u00e9 Morel, in <U>Trait\u00e9 Th\u00e9orique et Pratique D'Organisation Judiciaire<\/U>, de Comp\u00e9tence et de Proc\u00e9dure Civile, 3\u00aa ed., Libr. du Recueil Sirey, Paris, 1929, t.3, p.474)."},{"tipo":"EM","txt":"\u00c9 manifesto, no caso, a impropriedade da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, cujos pressupostos encontram-se delineados no C\u00f3digo de Processo Civil, residindo, fundamentalmente, na nulidade da decis\u00e3o judicial, e n\u00e3o na injusti\u00e7a da mesma."},{"tipo":"EM","txt":"N\u00e3o h\u00e1 ofensa a literal disposi\u00e7\u00e3o de lei quando a interpreta\u00e7\u00e3o dada a ela n\u00e3o destoa do seu texto. A <I>\"m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o que justifica o 'judicium rescidens' h\u00e1 de ser de tal modo aberrante do texto que equivalha \u00e0 sua viola\u00e7\u00e3o literal\"<\/I> (in RT 634\/93)."},{"tipo":"EM","txt":"Nesse sentido, pronuncia-se a jurisprud\u00eancia, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"N\u00e3o \u00e9 a rescis\u00f3ria, em nosso Direito, um recurso, a placitar o reexame e a nova decis\u00e3o conseq\u00fcente, como se fora uma terceira inst\u00e2ncia de julgamento. \u00c9, ao contr\u00e1rio, uma a\u00e7\u00e3o especial, a\u00e7\u00e3o de desconstitui\u00e7\u00e3o de julgado, se ocorrerem os defeitos que a lei taxativamente enumera (Ac. un\u00e2n. do 4\u00ba Gr. de C\u00e2ms. do TI-RJ de 9.5.79, na AR 137, rel. Des. HAMILTON DE MORAES E BARROS).\"<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"O fundamento da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria reside na nulidade da senten\u00e7a e n\u00e3o na injusti\u00e7a da decis\u00e3o; consequentemente, \u00e9 inadmiss\u00edvel para reexame da prova com a finalidade de corrigir suposta injusti\u00e7a na sua aprecia\u00e7\u00e3o (Ac. un\u00e2n. das C\u00e2ms. Reuns. do TJ-SC, de 14.10.81, na AR 283, rel. Des. NELSON KONRAD, Jurisp. Catarinense, vol. 35, p. 359).\"<\/I>"},{"tipo":"EM","txt":"Da mesma forma leciona a doutrina, nos termos do magist\u00e9rio de Ernane Fid\u00e9lis dos Santos, em seu conceituado <U>Manual de Direito Processual Civil<\/U>, 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Saraiva, 1999, v. 1, p. 637, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"A rescis\u00f3ria n\u00e3o tem objetivo de corrigir amplamente a m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o do direito, pois, no interesse p\u00fablico, a coisa julgada fala mais alto. Da\u00ed restringir-se a motiva\u00e7\u00e3o \u00e0 literal disposi\u00e7\u00e3o de lei, ou seja, dispositivo legal escrito, n\u00e3o importando, por\u00e9m, sua forma e origem.<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>Tamb\u00e9m n\u00e3o serve a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para imprimir novo rumo \u00e0s decis\u00f5es que est\u00e3o em controv\u00e9rsia com outras, na interpreta\u00e7\u00e3o da lei. N\u00e3o \u00e9 ela instrumento de uniformiza\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia. As senten\u00e7as podem ser controvertidas, sem que nenhuma delas viole disposi\u00e7\u00e3o literal de lei, mesmo que haja at\u00e9 contrariedade \u00e0 S\u00famula do Supremo Tribunal Federal ou de outros tribunais.\"<\/I>"},{"tipo":"EM","txt":"Assim, do meditado exame das hip\u00f3teses enumeradas no art. 485 do CPC, constata-se, sem qualquer dificuldade, a imprestabilidade, no caso dos autos, da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para obter o resultado pretendido na pe\u00e7a vestibular."},{"tipo":"EM","txt":"Ademais, em se tratando de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ajuizada com fundamento no art.485, IX, do CPC, a evid\u00eancia do erro deve emergir do simples confronto entre as declara\u00e7\u00f5es da senten\u00e7a e os atos e documentos da causa, o que, no caso em exame, nos termos do parecer transcrito, n\u00e3o se configurou."},{"tipo":"EM","txt":"A respeito, pertinente o magist\u00e9rio de Salvatore Satta, em seu <U>Diritto Processuale Civile<\/U>, 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Cedam, 1981, p.530, nota 17, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"\u00c8 ormai principio consolidato in giurisprudenza che l'errore di fatto, deducibile con impugnazione per revocazione ai sensi dell'art. 395, n.4 c.p.c., consiste in una falsa percezione della realt\u00e0, in una svista obiettivamente ed immediatamente rilevabile, che abbia portato il giudice ad affermare o supporre l'esistenza di un fatto decisivo, incontestabilmente escluso dagli atti e dai documenti di causa, ovvero l'inesistenza di un fatto decisivo, sempre che il fatto medesimo non costituisca punto controverso sul quale il giudice abbia pronunciato.<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>L'erronea supposizione o negazione deve profilarsi pertanto come un presupposto essenziale se non unico, della decisione e deve presentarsi con i caratteri dell'evidenza, dell'obiettivit\u00e0 e della rilevabilit\u00e0 immediate. Tale errore non \u00e8 ravvisabile nel caso in cui si assuma che il giudice abbia omesso di esaminare, su una questione oggetto di discussione fra le parti, le prove documentali prodotte e specificamente indicate, ovvero abbia proceduto ad una erronea e incompleta valutazione delle medesime, traducendosi siffatta doglianza in una censura di errore di giudizio, che esorbita dall'ambito dell'impugnazione per revocazione, ed \u00e8 solo denunciabile con ricorso per cassazione, nei limiti consentiti dall'art.360, n.5 c.p.c. >> (Cass.20 gennaio 1977, n.280; Cass 15 marzo 1977, n.1036, Cass. 5 aprile 1977, n.1297).\"<\/I>"},{"tipo":"EM","txt":"Com efeito, a alega\u00e7\u00e3o de que houve erro de fato deve ser repelida, posto que o erro autorizador da rescis\u00f3ria deve decorrer da desaten\u00e7\u00e3o do julgador e n\u00e3o da aprecia\u00e7\u00e3o da prova, bem como deve ser capaz, por si s\u00f3, de lhe assegurar pronunciamento favor\u00e1vel."},{"tipo":"EM","txt":"Nesse sentido \u00e9 a jurisprud\u00eancia que trazemos \u00e0 cola\u00e7\u00e3o:"},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"O erro de fato que d\u00e1 margem \u00e0 rescis\u00f3ria \u00e9 aquele que, observados os requisitos do inciso IX do art. 485, CPC, serve de fundamento a senten\u00e7a rescind\u00edvel, que teria chegado a conclus\u00e3o diversa n\u00e3o fora ele\" (RTJ 136\/55).<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"O erro autorizador da rescis\u00f3ria \u00e9 aquele decorrente da desaten\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o do julgador quanto \u00e0 prova, n\u00e3o, pois, o decorrente do acerto ou desacerto do julgado em decorr\u00eancia da aprecia\u00e7\u00e3o dela\" (Boletim AASP 1.678\/supl., p. 6).<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"\u00c9 preciso que o erro de fato tenha sido 'capaz, por si s\u00f3, de (...) assegurar pronunciamento favor\u00e1vel' \u00e0 parte contr\u00e1ria (v. inciso VII; neste sentido: STJ-RT 681\/199), de sorte a ser 'razo\u00e1vel presumir que o juiz n\u00e3o teria julgado como o fez se tivesse atentado para a prova\" (STF-Pleno, AR 991-6-PB, j. 5.9.79, julgaram improcedente, v.u., DJU 21.3.80, p. 1.550, 3\u00aa col., em.) (trechos extra\u00eddos do \"CPC e Legisla\u00e7\u00e3o Processual em vigor\", de Thet\u00f4nio Negr\u00e3o, 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1996, notas 43 e 44, art. 485, IX).<\/I> "},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"PROCESSUAL CIVIL - A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA DECAD\u00caNCIA - ERRO DE FATO. I - Referentemente a decad\u00eancia, e da doutrina que a simples entrega da peti\u00e7\u00e3o j\u00e1 constitui ato de exerc\u00edcio do direito, porque, se at\u00e9 o momento derradeiro a pretens\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 desmunida de a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode, sem indefens\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o de prazo, dizer extinto o direito. II - Para que ocorra erro de fato \u00e9 preciso que este tenha sido capaz, por si s\u00f3, de assegurar pronunciamento favor\u00e1vel \u00e0 parte contr\u00e1ria. III - A\u00e7\u00e3o improcedente.\"(STJ, A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria n\u00b0 223, Segunda Se\u00e7\u00e3o, Relator Min. Waldemar Zveiter, DJ de 04.11.91, p\u00e1g. 15652)<\/I>"},{"tipo":"EM","txt":"Destarte, o que o autor pretende, na realidade, \u00e9 o reexame das provas ofertadas na a\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 invi\u00e1vel em sede de A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria. Neste sentido \u00e9 a ementa abaixo transcrita:"},{"tipo":"EM","txt":"<I>\"Erro de fato. Tal pretexto n\u00e3o serve ao reexame da valora\u00e7\u00e3o da prova, vedado \u00e0 a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.\" (RTFR 139\/21).<\/I>"},{"tipo":"EM","txt":"2. Provimento dos embargos infringentes."},{"tipo":"PN","txt":"Vistos e relatados estes autos em que s\u00e3o partes as acima indicadas, decide a Egr\u00e9gia 2\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o, por voto de desempate, vencidos os Des. Federais Edgard Ant\u00f4nio Lippmann Jr. e Luiz Carlos de Castro Lugon, dar provimento aos embargos infringentes, nos termos do relat\u00f3rio, votos e notas taquigr\u00e1ficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado."},{"tipo":"PN","txt":"Trata-se de embargos infringentes onde o INCRA, a fls. 733\/742, alega, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"RAZ\u00d5ES DE EMBARGOS INFRINGENTES <dd><\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Trata-se de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria tendente \u00e0 desconstitui\u00e7\u00e3o de ac\u00f3rd\u00e3o proferido em a\u00e7\u00e3o desapropriat\u00f3ria proposta pelo INCRA, para fins de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, sobre \u00e1rea rural denominada Col\u00f4nia Guairac\u00e1\/PR, na regi\u00e3o oeste do Estado do Paran\u00e1. O feito origin\u00e1rio foi desmembrado permanecendo no p\u00f3lo passivo Telmo Jesus da Silva e Reynaldo Biazus Leal. Ambos, por detentores da posse agr\u00e1ria - requisito legal \u00e0 ratifica\u00e7\u00e3o da posse (Lei 4.947\/66, Dec.-Lei 1.414\/75, e Lei 9.871\/99), receberam t\u00edtulo de dom\u00ednio outorgado pela autarquia fundi\u00e1ria na \u00e1rea que fora objeto da a\u00e7\u00e3o desapropriat\u00f3ria. Dita a\u00e7\u00e3o, como visto, tinha o desiderato de identificar os possuidores e n\u00e3o a efetiva desapropria\u00e7\u00e3o. Apenas se utilizou a autarquia, em virtude dos conflitos sociais na regi\u00e3o, do rito expedito da desapropriat\u00f3ria e de sua c\u00e9lere imiss\u00e3o na posse. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>No ac\u00f3rd\u00e3o regional rescindendo, foi negado provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o interposta pela parte expropriada tendente \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o, com juros morat\u00f3rios e compensat\u00f3rios, asseverando a Ilustre Relatora Dra. Marga Inge Barth Tessler, com muita propriedade, que inexistente o preju\u00edzo dos autores, descabida a indeniza\u00e7\u00e3o pleiteada, nos termos que seguem: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'A senten\u00e7a, entretanto, adotou orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que sequer \u00e9 poss\u00edvel aos expropriados o levantamento das quantias referentes a esse dep\u00f3sito, pois o INCRA, ap\u00f3s a imiss\u00e3o na posse, teria feito uma retitula\u00e7\u00e3o das terras, tendo a posse desta permanecido como os expropriados. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>De fato, os pr\u00f3prios r\u00e9us, depois da desapropria\u00e7\u00e3o, passaram a ser titulares das terras, de forma que n\u00e3o perderam a posse. Resta saber, entretanto, se isso enseja a impossibilidade de indeniza\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A indeniza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e justa \u00e9 devida aos que perderam a propriedade ou a posse. No caso dos autos isto n\u00e3o ocorreu. Os requeridos n\u00e3o eram propriet\u00e1rios e obtiveram a posse regular ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o do INCRA, pois antes apresentavam-se com posse irregular. A tese \u00e9 a mesma quer se trate de propriet\u00e1rios a non domino, quer se trate de possuidor irregular. Assim, n\u00e3o obstante j\u00e1 ter anteriormente adotado orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que seria devido o levantamento das quantias depositadas, parece que aqui a desapropria\u00e7\u00e3o foi equivocadamente manejada. N\u00e3o encontra justificativa o pagamento do 'justo pre\u00e7o' para quem ao inv\u00e9s de perder a propriedade, a adquiriu. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Por fim, cabe afirmar que n\u00e3o existe nulidade da senten\u00e7a a ser reconhecida por este Ju\u00edzo ad quem, principalmente porque o expropriado concordou com a retitula\u00e7\u00e3o ao contestar o feito, apenas insurgindo-se contra o valor da indeniza\u00e7\u00e3o. Ademais, n\u00e3o h\u00e1 como discutir, nesse momento, a validade do decreto expropriat\u00f3rio. Por outro lado, a demora na cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 causa de decad\u00eancia, mas de abandono da causa, e assim mesmo n\u00e3o pode ser reconhecida, pois as cita\u00e7\u00f5es foram realizadas, e foi devidamente oportunizada a defesa dos expropriados.\" <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O feito transitou em julgado e ensejou a propositura da presente a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria contestada pelo INCRA, cujo ac\u00f3rd\u00e3o regional, por maioria, deu-lhe provimento nos termos que seguem: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>EMENTA <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA. DESAPROPRIA\u00c7\u00c3O. RETITULA\u00c7\u00c3O DE TERRAS. CABIMENTO. S\u00daMULA 63 DO TRF DA 4\u00aa REGI\u00c3O. COISA JULGADA. ERRO DE FATO. VIOLA\u00c7\u00c3O A LITERAL DISPOSI\u00c7\u00c3O DE LEI. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>. Cab\u00edvel a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ajuizada com fundamento no art. 485, V, do CPC, uma vez que, tratando-se de mat\u00e9ria constitucional, n\u00e3o incide a S\u00famula 343 do STF. Incid\u00eancia da S\u00famula 63 do TRF da 4\u00aa Regi\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>. O desmembramento da desapropria\u00e7\u00e3o original em diversas outras, as quais tiveram julgamentos distintos, n\u00e3o caracteriza ofensa \u00e0 coisa julgada . <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>. Inocorre erro de fato se foram apreciados os elementos carreados aos autos e manifestados entendimentos coerentes com os princ\u00edpios gerais do direito . <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>. O ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo, ao manter a proced\u00eancia da desapropria\u00e7\u00e3o mas julgar indevido o pagamento de qualquer indeniza\u00e7\u00e3o, subverteu todo o ordenamento jur\u00eddico no que diz com a garantia fundamental do direito \u00e0 propriedade e a regulamenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da forma mais radical de interven\u00e7\u00e3o do Estado na propriedade privada. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Viola\u00e7\u00e3o dos arts. 5\u00b0, XXII, XXIV da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e dos arts. 24, 33 e \u00a72\u00b0 e 34 da Lei n\u00ba 3.365\/41 . <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>. Inobstante a autarquia expropriante impugnar o dom\u00ednio, n\u00e3o h\u00e1 nos autos qualquer ind\u00edcio de que este tenha sido objeto de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, sendo descabido em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o discutir a validade de t\u00edtulo dominial, sob pena de transfigurar-se aquela em verdadeira a\u00e7\u00e3o dominial, vedada pelo ordenamento jur\u00eddico. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00b7 Se o poder p\u00fablico encetou o procedimento expropriat\u00f3rio declarando de utilidade p\u00fablica ou de interesse social as \u00e1reas identificadas como tal, o fez com base na premissa de a propriedade ser titulada pelos particulares nominados no registro de im\u00f3veis, pois a desapropria\u00e7\u00e3o de terras da Uni\u00e3o pela autarquia fundi\u00e1ria configura verdadeira situa\u00e7\u00e3o teratol\u00f3gica. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00b7 Satisfeitos os pressupostos para a rescis\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o, no ju\u00edzo rescis\u00f3rio \u00e9 exclu\u00edda, por extra petita, a parte da senten\u00e7a que declarou nulo o t\u00edtulo de propriedade dos expropriados. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00b7 N\u00e3o incorre em cerceamento de defesa por aus\u00eancia de valora\u00e7\u00e3o da prova pericial a senten\u00e7a que se assenta em fundamentos de direito. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00b7 \u00c9 rejeitada a nulidade da senten\u00e7a por aus\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o se deixou de debater todos os argumentos dos autores ao adotar tese distinta daquela por eles defendida. O princ\u00edpio do livre convencimento motivado justifica a aus\u00eancia de an\u00e1lise dos dispositivos que pare\u00e7am significativos para a parte, mas que para o julgador, se n\u00e3o irrelevantes, constituem quest\u00f5es superadas pelas raz\u00f5es de julgar. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00b7 O fato de os expropriados terem recebido o t\u00edtulo de propriedade definitivo ap\u00f3s decreto de desapropria\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhes retira o direito postulado, pois \u00e9 inconceb\u00edvel que algu\u00e9m possa ser privado de seus bens sem a indeniza\u00e7\u00e3o correspondente, ainda quando se trate de mera retitula\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00b7 Se foi poss\u00edvel a transmiss\u00e3o do dom\u00ednio pelo INCRA aos expropriados, que constam no t\u00edtulo de propriedade como adquirentes das terras, pressup\u00f5e-se que a desapropria\u00e7\u00e3o produziu todos os seus efeitos legais, entre eles a obriga\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o justa, porquanto a relativiza\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter absoluto da propriedade vigente no sistema civilista anterior \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 n\u00e3o chega ao ponto de autorizar o poder p\u00fablico a desapropriar sem a contrapresta\u00e7\u00e3o devida . <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>. A justa indeniza\u00e7\u00e3o corresponde ao valor pago pela retitula\u00e7\u00e3o, devidamente atualizado, inclu\u00edda a parcela relativa \u00e0 diferen\u00e7a de \u00e1rea. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>.Incidem juros compensat\u00f3rios no valor a ser indenizado, no percentual de 12% ao ano, a partir da imiss\u00e3o na posse (S\u00famulas 69\/STJ e 618\/STF) . <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>. Juros de mora devidos \u00e0 taxa de 6% ao ano, a partir do tr\u00e2nsito em julgado, nos termos da S\u00famula 70 do STJ . <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>. Honor\u00e1rios advocat\u00edcios de 10% sobre o valor da indeniza\u00e7\u00e3o.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> . A\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria procedente.'<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O INCRA op\u00f4s Embargos Declarat\u00f3rios postulando o prequestionamento de diversos artigos do estatuto processual, da legisla\u00e7\u00e3o especial atinente \u00e0s desapropria\u00e7\u00f5es por interesse social, para fins de reforma agr\u00e1ria, e do C\u00f3digo Civil. No recurso, ali\u00e1s, pretendia o pronunciamento da Colenda Se\u00e7\u00e3o acerca dos pressupostos processuais relativos \u00e0 irregularidade na representa\u00e7\u00e3o processual dos Autores. Entrementes, quedou-se silente o \u00f3rg\u00e3o jurisdicional deste E. TRF\/4\u00aa Regi\u00e3o, inclusive sobre mat\u00e9ria cognosc\u00edvel de oficio. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ainda com rela\u00e7\u00e3o ao ac\u00f3rd\u00e3o rescis\u00f3rio, houve voto dissonante da eminente Ju\u00edza convocada e Relatora Dra. Cl\u00e1udia Cristina Cristofani, cuja conclus\u00e3o pleiteia-se a preval\u00eancia. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>DO CABIMENTO DO RECURSO DE EMBARGOS INFRINGENTES. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O recurso \u00e9 cab\u00edvel porquanto tempestivo, presente o interesse processual e a sucumb\u00eancia da autarquia. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>De igual sorte, nos moldes do que preconiza o art. 530 do CPC, a diverg\u00eancia em sede de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria d\u00e1 azo \u00e0 sua interposi\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>NO M\u00c9RITO <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>No voto divergente a eminente Desembargadora Federal: Dra. Cl\u00e1udia Cristina Cristofani, com ineg\u00e1vel acerto, entende que a rescis\u00f3ria proposta n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel porquanto pretende rediscutir a mat\u00e9ria decidida em face de sua alegada injusti\u00e7a, atribuindo-lhe fei\u00e7\u00e3o recursal. Diz que a exist\u00eancia de julgamentos diferentes em casos an\u00e1logos n\u00e3o enseja a rescis\u00e3o do julgado, mas, antes, caracteriza diferente interpreta\u00e7\u00e3o jurisdicional sobre os fatos que n\u00e3o configura ofensa \u00e0 literal disposi\u00e7\u00e3o da lei, in verbis: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'VOTO <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O autor, mediante a presente a\u00e7\u00e3o, visa a rescindir em parte ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela 3\u00aa Turma desta Corte, que entendeu por negar pedido de que fosse indenizado pela retitula\u00e7\u00e3o de terras.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria \u00e9 meio de impugna\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as. Tem ela por objeto desconstituir senten\u00e7a de m\u00e9rito transitada em julgado. Ataca, portanto, a coisa julgada. Como a autoridade da coisa julgada \u00e9 de extrema import\u00e2ncia em nosso sistema jur\u00eddico, porque \u00e9 ela que d\u00e1 seguran\u00e7a e estabilidade \u00e0s decis\u00f5es jurisdicionais, somente em situa\u00e7\u00f5es excepcionais \u00e9 que se possibilita viol\u00e1-la. Tais casos acham-se enumerados taxativamente em nossa lei processual civil.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>No caso em comento, a Terceira Turma entendeu n\u00e3o fazer jus o autor \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o postulada, em virtude da retitula\u00e7\u00e3o das terras. Da an\u00e1lise dos autos, entendo n\u00e3o restar configuradas as hip\u00f3teses ensejadoras da rescis\u00e3o parcial do julgado. Ao contr\u00e1rio, vislumbro que o objetivo do autor \u00e9 buscar simplesmente o reexame de mat\u00e9ria debatida quando do processamento da a\u00e7\u00e3o precedente em face de sua alegada injusti\u00e7a. O fato de a a\u00e7\u00e3o originariamente ajuizada ter sido desmembrada em diversas a\u00e7\u00f5es desapropriat\u00f3rias e de ter havido desfechos diversos n\u00e3o caracteriza ofensa \u00e0 coisa julgada, uma vez que, no momento da reautua\u00e7\u00e3o dos feitos, tornaram-se aut\u00f4nomos. As decis\u00f5es diversas s\u00e3o oriundas de interpreta\u00e7\u00f5es diferentes dadas a uma quest\u00e3o muito pol\u00eamica \u00e0 \u00e9poca, o que, de per si, n\u00e3o configura ofensa \u00e0 literal disposi\u00e7\u00e3o de lei.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>N\u00e3o se quer, com isso, excluir da aprecia\u00e7\u00e3o do judici\u00e1rio quest\u00f5es relevantes que ensejariam a desconstitui\u00e7\u00e3o do julgado, todavia, friso, n\u00e3o \u00e9 o caso sob exame, em que houve a aprecia\u00e7\u00e3o dos elementos carreados aos autos e a elabora\u00e7\u00e3o de entendimentos coerentes com os princ\u00edpios gerais do direito, n\u00e3o se caracterizando, assim, o alegado erro de fato.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Em refor\u00e7o \u00e0 tese ora esbo\u00e7ada, trago \u00e0 cola\u00e7\u00e3o o aresto assim ementado:<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>PROCESSUAL CIVIL. A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA. FATO. ART. 485, IX, DO CPC. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>1. Em nosso direito n\u00e3o \u00e9 a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria recurso, a justificar o reexame e a nova decis\u00e3o com a finalidade de corrigir suposta injusti\u00e7a na sua aprecia\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>2. \"omissis\". <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>3. A\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria julgada improcedente. (TRF4\u00aa Regi\u00e3o, AR n\u00ba 2001.04.01.086875-0\/RS, SEGUNDA SE\u00c7\u00c3O, Relator JUIZ CARLOS EDUARDO THOMPSON FLORES LENZ, DJU de 28\/08\/2002, p\u00e1g. 563).<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ademais, na esteira da orienta\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria e jurisprudencial, foi editada, pelo Supremo Tribunal Federal, a S\u00famula n\u00b0 343, com o seguinte enunciado, que considero aplic\u00e1vel ao caso em exame:<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\" N\u00e3o cabe a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria por ofensa a literal disposi\u00e7\u00e3o de lei, quando a decis\u00e3o rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpreta\u00e7\u00e3o controvertida nos tribunais.\"<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Por fim, com o intuito de n\u00e3o obstaculizar o acesso \u00e0s inst\u00e2ncias Superiores e de agilizar a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional, evitando-se a interposi\u00e7\u00e3o de embargos de declara\u00e7\u00e3o t\u00e3o-somente para fins de prequestionamento, considero prequestionadas todas as quest\u00f5es debatidas no feito, em especial o art. 485, IV, V, IX, \u00a7 1\u00ba, do CPC.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>ISSO POSTO, julgo improcedente a rescis\u00f3ria, condenando a autora a pagar honor\u00e1rios de advogado \u00e0 raz\u00e3o de 10% do valor atualizado atribu\u00eddo \u00e0 causa.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00c9 como voto.'<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Sua tese, entretanto, n\u00e3o prosperou e o voto-vista da Desembargadora Federal Silvia Goraieb prevaleceu no sentido de vislumbrar, em sede de judicium rescindens, ofensa ao disposto na CF em seu art. 5\u00b0, incisos XXI e XXIV; ao disposto no Dec-lei 3.365\/41, em seus arts. 24, 33, caput e \u00a7 2\u00b0, e 34. No ju\u00edzo rescis\u00f3rio, analisando os termos do ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo profere novo julgamento considerando a senten\u00e7a extra-petita, reputa cab\u00edvel a indeniza\u00e7\u00e3o correspondente ao valor pago pelo expropriado pela retitula\u00e7\u00e3o, incluindo-se a parcela relativa \u00e0 diferen\u00e7a de \u00e1rea proporcionalmente ao valor pago. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Consectariamente, define os \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, fixa juros de mora \u00e0 raz\u00e3o de 6% ao ano, e, teratol\u00f3gica e contraditoriamente, outorga juros compensat\u00f3rios em caso de retitula\u00e7\u00e3o - quando o expropriado \u00e9 mantido na posse desde antes, durante e ap\u00f3s a tramita\u00e7\u00e3o do feito desapropriat\u00f3rio, e honor\u00e1rios advocat\u00edcios em 100\/0 sobre o valor da indeniza\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>AC\u00d3RD\u00c3O RESCINDENDO FUNDAMENTADO EM INTERPRETA\u00c7\u00c3O DA LEI CONTR\u00c1RIA AOS AUTORES N\u00c3O ENSEJA RESCIS\u00d3RIA. A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA N\u00c3O \u00c9 SUBSTITUTIVA DA INTERPOSI\u00c7\u00c3O DE RECURSO. S\u00daMULA 343\/STF.INEXIST\u00caNCIA DE DESAPROPRIA\u00c7\u00c3O E DE VIOLA\u00c7\u00c3O AO ART. 5\u00b0, XXII E XXIV DA CF. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O ac\u00f3rd\u00e3o ora recorrido, s. m. j., substancia o indevido e vetusto prest\u00edgio do formalismo processual sobre o direito material. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A quest\u00e3o da inser\u00e7\u00e3o no processo desapropriat\u00f3rio do procedimento de ratifica\u00e7\u00e3o da posse agr\u00e1ria foi sobejamente discutida e reconhecida na senten\u00e7a e no ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo, como imperiosa necessidade de interven\u00e7\u00e3o estatal para cessar os conflitos sociais na regi\u00e3o oeste do Estado do Paran\u00e1. O INCRA intervinha judicialmente com o rito expedito da a\u00e7\u00e3o desapropriat\u00f3ria para imitir-se na posse - de forma ficta, no caso concreto, porquanto reconheceu a presen\u00e7a dos requisitos da posse agr\u00e1ria ostentada pelos \"expropriados\" -, e proceder na ratifica\u00e7\u00e3o prevista na Lei 4.947\/66, e no Dec-lei 1.414\/75. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Mas o voto condutor, com exagerado apego ao formalismo procedimental, despreza todo arcabou\u00e7o f\u00e1tico tantas vezes enfrentado e reconhecido por este E. TRF\/4\u00aa Regi\u00e3o, e julga a querela somente sob a \u00f3tica processualista. Erige a a\u00e7\u00e3o desapropriat\u00f3ria ao patamar do bem da vida que, alfim, deve ser a finalidade do processo judicial que \u00e9. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas o instrumento \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do bem estar social, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Eterniza o conflito e menoscaba do direito e da efetiva presta\u00e7\u00e3o jurisdicional. A condena\u00e7\u00e3o aos juros compensat\u00f3rios (justific\u00e1veis apenas pelo perdimento da posse), v. g., assombra pelo descompasso com os fatos reconhecidos no pr\u00f3prio voto condutor. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O voto vencido, por sua vez, calca-se em irrefut\u00e1veis premissas: a de que a presente a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria traz em si o car\u00e1ter de recurso; e que o ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo substancia hip\u00f3tese de interpreta\u00e7\u00e3o da lei a n\u00e3o ensejar ofensa \u00e0 literal disposi\u00e7\u00e3o da lei e, de conseq\u00fc\u00eancia, sua rescis\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Com efeito, a mat\u00e9ria atinente \u00e0s desapropria\u00e7\u00f5es para fins de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, que culminaram ou n\u00e3o em retitula\u00e7\u00f5es aos expropriados nos Estados do PR e se, possui diversos precedentes deste mesmo TRF\/4\u00aa Regi\u00e3o, no sentido do descabimento da indeniza\u00e7\u00e3o em virtude da flagrante aus\u00eancia de preju\u00edzo, tanto aos retitulados como para os que n\u00e3o foram. Ou seja, a mat\u00e9ria \u00e9 de alta controv\u00e9rsia jur\u00eddica no pret\u00f3rio regional e traz a incid\u00eancia da S\u00famula 343\/STF. V. g., o aresto que segue (DJ 22.09.2004): <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL N\u00b0 2002.04.01.045258-5\/PR <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>RELATORA : Ju\u00edza MARCIANE BONZANINI <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>APELANTE: ESTADO DO PARAN\u00c1 <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>ADVOGADO: Cristina Leit\u00e3o Teixeira de Freitas e outros <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>APELADO : INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZA\u00c7\u00c3O E REFORMA AGR\u00c1RIA - INCRA <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>ADVOGADO: L\u00facia Helena Bertaso Goldani : Nirclesio Jose Zabot INTERESSADO: GET\u00daLIO GUERIN - ESP\u00d3LIO <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>ADVOGADO: Jossimar Ioris <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>EMENTA <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIA\u00c7\u00c3O POR INTERESSE SOCIAL. \u00c1REA SITUADA NA FAIXA DE FRONTEIRA. POSSIBILIDADE DE EXAME E DECRETA\u00c7\u00c3O DE NULIDADE DO T\u00cdTULO DO EXPROPRIADO, RETIRANDO DIREITO \u00c0 INDENIZA\u00c7\u00c3O. LEGITIMIDADE DO ESTADO DO PARAN\u00c1 COMO LITISCONSORTE PASSIVO NECESS\u00c1RIO. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>1. N\u00e3o constitui julgamento extra petita a an\u00e1lise da validade do t\u00edtulo de dom\u00ednio do expropriado em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o. Alega\u00e7\u00e3o constante na inicial e submetida ao contradit\u00f3rio. Discuss\u00e3o entre expropriante e expropriado, n\u00e3o configurando a hip\u00f3tese prevista no art. 34 do Decreto-Lei n\u00b0 3.365\/41. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>2. O Estado do Paran\u00e1 \u00e9 parte leg\u00edtima para figurar no p\u00f3lo passivo de a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o de \u00e1rea por ele concedida a non domino por estar situada em faixa de fronteira (art. 47, caput, do CPC e art. 3\u00b0, caput, e \u00a7 1\u00ba da Lei n\u00ba 9871\/99). <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>3. O interesse processual deve ser analisado no caso concreto, n\u00e3o meramente a partir da forma processual utilizada. Utiliza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o para regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e para estancar situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e disputa por terras. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>4. A possibilidade legal de ratifica\u00e7\u00e3o de concess\u00f5es feitas por Estados de \u00e1reas situadas em faixa de fronteira s\u00f3 pode ser oposta como defesa se atendidos os requisitos legais e concretizada. Possibilidade de an\u00e1lise em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o, considerando os contornos espec\u00edficos do caso (viol\u00eancia e disputa de terras concedidas a non domino), da validade do t\u00edtulo de dom\u00ednio do expropriado. Respeito ao princ\u00edpio do contradit\u00f3rio e da ampla defesa e realiza\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da instrumentalidade das formas e da efetividade da presta\u00e7\u00e3o jurisdicional. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>AC\u00d3RD\u00c3O <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Vistos e relatados estes autos em que s\u00e3o partes as acima indicadas, decide a Egr\u00e9gia 3\u00aa Turma do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o, por maioria, negar provimento ao recurso, nos termos do relat\u00f3rio, voto e notas taquigr\u00e1ficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Vencido o Des. Luiz Carlos de Castro Lugon, votando pelo provimento do recurso.'<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A S\u00famula 343\/STF, contrariamente ao quanto decidido no ac\u00f3rd\u00e3o ora embargado, tem aplica\u00e7\u00e3o porquanto a ofensa \u00e1 Constitui\u00e7\u00e3o Federal, se \u00e9 que existe, \u00e9 indireta. Com efeito, a legisla\u00e7\u00e3o a ser examinada \u00e9 a que rege as ratifica\u00e7\u00f5es de posse na faixa de fronteiras, como bem examinado no ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo, e de ordem infra-constitucional. Ademais, os meios de prova carreados aos autos demonstram que n\u00e3o houve desapropria\u00e7\u00e3o, mas sim ratifica\u00e7\u00e3o da posse e a retitula\u00e7\u00e3o dos Autores. Sem perda da propriedade n\u00e3o h\u00e1 que se falar em desapropria\u00e7\u00e3o e indeniza\u00e7\u00e3o correspondente - inexistindo tamb\u00e9m viola\u00e7\u00e3o ao art. 5\u00b0, XXII e XXIV da CF; e aos dispositivos do Dec.-lei 3.365\/41. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>DA COMPET\u00caNCIA DO INCRA \u00c0 RATIFICA\u00c7\u00c3O DA POSSE NA FAIXA DE FRONTEIRAS E \u00c0 EXPEDI\u00c7\u00c3O DE T\u00cdTULO DE DOM\u00cdNIO - LEI 4.947\/66, E DEC.-LEI 1.414\/75. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Os Autores da presente a\u00e7\u00e3o tiveram sua posse agr\u00e1ria ratificada pela autarquia agr\u00e1ria com fundamento na legisla\u00e7\u00e3o que segue: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- Lei 4.947\/66, arts. 5\u00b0,6\u00b0; <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- e Dec.-lei 1.414\/75, dos quais destacamos o previsto nos arts. 5\u00b0 e 8\u00b0, in verbis: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'Art. 5\u00b0. Verificado que foram atendidas as condi\u00e7\u00f5es previstas no presente Decreto-lei, o INCRA expedir\u00e1 t\u00edtulo, do qual dever\u00e1 constar o memorial descritivo da \u00e1rea objeto da medida, ratificando, no todo ou em parte, a concess\u00e3o ou aliena\u00e7\u00e3o original. Par\u00e1grafo \u00fanico. O t\u00edtulo de ratifica\u00e7\u00e3o ter\u00e1 for\u00e7a de escritura p\u00fablica e ser\u00e1 levado ao Registro de Im\u00f3veis para fins de averba\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Art. 8\u00b0. Os interessados n\u00e3o pagar\u00e3o custas no processo administrativo, salvo pelas dilig\u00eancias a seu exclusivo interesse, bem como as despesas de demarca\u00e7\u00e3o, se for o caso.' (grifos nossos) <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Desde a inicial desapropriat\u00f3ria o INCRA ressalva o intento de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria em virtude dos graves dist\u00farbios sociais decorrentes das \u00edrritas titula\u00e7\u00f5es estaduais na faixa de fronteiras. Ditas titula\u00e7\u00f5es somente possuem validade caso ratificadas pelo INCRA, conforme a legisla\u00e7\u00e3o invocada. Da\u00ed o equ\u00edvoco do voto condutor ao considerar leg\u00edtimos os t\u00edtulos de propriedade sem o procedimento de ratifica\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Assim, percebe-se o acerto do ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo quando diz que os expropriados, ao inv\u00e9s de perder a propriedade, a adquiriram. O mesmo se diga em rela\u00e7\u00e3o a n\u00e3o incid\u00eancia de juros compensat\u00f3rios. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>DO PEDIDO <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ante o exposto, pugna a esta E. 28 Se\u00e7\u00e3o seja conhecido o presente recurso com esteio no art. 530 do CPC, \u00e0 reforma do ac\u00f3rd\u00e3o regional, dando-lhe provimento para prevalecer o voto divergente da lavra da I. Ju\u00edza Federal Dra. Cl\u00e1udia Cristina Cristofani, para o efeito de negar provimento \u00e0 a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, e manter indene o ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo no sentido da inexist\u00eancia do direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o.\"<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Transcorreu <U>in albis<\/U> o prazo da resposta."},{"tipo":"PN","txt":"O MPF, a fls. 750\/6, emitiu parecer,  nestes termos, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\" Trata-se de embargos infringentes interpostos em virtude de ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela Segunda Se\u00e7\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o, no qual julgou-se procedente o pedido formulado nos autos da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria proposta por Teimo Jesus da Silva e outro, visando \u00e0 anula\u00e7\u00e3o de ac\u00f3rd\u00e3o que afastou o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o em demanda versando sobre a retitula\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel rural. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>No ac\u00f3rd\u00e3o de fls. 674\/696, a Desembargadora Federal Silvia Maria Goraieb, em voto-vista, considerou os seguintes fundamentos: a) a s\u00famula 343 do STF n\u00e3o seria aplicada ao caso, por se tratar de quest\u00e3o constitucional; b) cab\u00edvel a rescis\u00f3ria, por haver viola\u00e7\u00e3o a literal dispositivo de lei, no caso, o art. 5\u00ba, incisos XXII e XXIV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, bem como os arts. 24, 33, e 34, da Lei n\u00ba 3.365\/41; c) o cabimento de indeniza\u00e7\u00e3o, ainda que se trate de mera retitula\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Inconformado com essa decis\u00e3o, o INCRA interp\u00f4s os embargos infringentes de fls. 732\/742, para v\u00ea-la reformada, em virtude dos votos divergentes da Ju\u00edza convocada Relatora Cl\u00e1udia Cristina Cristofani, acompanhada pelo Desembargador Federal Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz. Para tanto, sustentou como alega\u00e7\u00f5es que: a) a presente a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria teria o car\u00e1ter de recurso; b) o ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo externa hip\u00f3tese de interpreta\u00e7\u00e3o das normas vigentes, n\u00e3o ensejando ofensa \u00e0 literal disposi\u00e7\u00e3o de lei; c) seria aplic\u00e1vel a s\u00famula 343 do STF; d) n\u00e3o seria cab\u00edvel a indeniza\u00e7\u00e3o, em virtude de n\u00e3o haver desapropria\u00e7\u00e3o, mas sim, ratifica\u00e7\u00e3o da posse e retitula\u00e7\u00e3o dos autores. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Sem contra-raz\u00f5es, vieram os autos ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>2. FUNDAMENTA\u00c7\u00c3O: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Merece provimento o recurso. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>2.1. Preliminar: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Dentro dos limites da diverg\u00eancia, pois pac\u00edfico o entendimento de que n\u00e3o houve ofensa \u00e0 coisa julgada ou erro de fato na decis\u00e3o rescindenda, a maioria dos julgadores do ac\u00f3rd\u00e3o atacado reconheceu a exist\u00eancia de viola\u00e7\u00e3o a literal dispositivo de lei, deferindo o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o pela retitula\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel. No entanto, a mat\u00e9ria ora debatida \u00e9 de grande controv\u00e9rsia neste Tribunal, havendo diversas decis\u00f5es contrastantes, n\u00e3o se podendo falar de afronta \u00e0 literalidade de lei, como se percebe do recente julgado: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ementa: \"ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIA\u00c7\u00c3O AT\u00cdPICA. REGULARIZA\u00c7\u00c3O FUNDI\u00c1RIA. FAIXA DE FRONTEIRA. RETITULA\u00c7\u00c3O. INEXIST\u00caNCIA DE DIREITO \u00c1 INDENIZA\u00c7\u00c3O. IMPROCED\u00caNCIA DA A\u00c7\u00c3O. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- O feito trata de desapropria\u00e7\u00e3o at\u00edpica, com finalidade de obter a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de regi\u00e3o marcada por conflitos sociais, em \u00e1rea rural localizada no Estado do Paran\u00e1. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- O que se observa do hist\u00f3rico de tais desapropria\u00e7\u00f5es \u00e9 que o Estado do Paran\u00e1 outorgou a diversos particulares t\u00edtulos de \u00e1reas que n\u00e3o eram de sua propriedade. Com efeito, tratava-se de im\u00f3veis localizados na faixa de fronteira e, por isso, sob o dom\u00ednio da Uni\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- Buscando regularizar a situa\u00e7\u00e3o dessas pessoas, o INCRA passou a ratificar os t\u00edtulos de todos aqueles que comprovassem a posse e explora\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, na forma prevista nas Leis n\u00ba 4947\/66 e 9.871\/99 e atrav\u00e9s do ajuizamento de desapropria\u00e7\u00f5es. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- Evidentemente, a pr\u00e1tica n\u00e3o primou pela melhor t\u00e9cnica processual, j\u00e1 que, em momento algum, a Uni\u00e3o deixou de ser propriet\u00e1ria dos im\u00f3veis situados na faixa de fronteira, a teor da S\u00famula n\u00ba 477 do STF. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- Ocorrendo a titula\u00e7\u00e3o, hip\u00f3tese sub judice, n\u00e3o se pode falar no pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o se vislumbra perda patrimonial a ser ressarcida. Ao contr\u00e1rio. os expropriados foram beneficiados pela titula\u00e7\u00e3o a eles concedida (fl. 131). uma vez que permaneceram na posse do im\u00f3vel. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- Por outro lado, mesmo que efetivada em \u00e1rea menor, n\u00e3o deve prevalecer o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o pelo valor correspondente \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea constante no registro de im\u00f3veis. N\u00e3o se pode negar a realidade dos fatos em favor do que disp\u00f5e o registro de im\u00f3veis, sob pena de enriquecimento indevido do apelante. Observe-se que o procedimento de retitula\u00e7\u00e3o realizado pelo INCRA levou em considera\u00e7\u00e3o o levantamento de todos os que estavam efetivamente na posse dos im\u00f3veis. Assim, a \u00e1rea constante no registro de im\u00f3veis (24,20 hectares - fl. 127) deve ser desconsiderada, tomando-se a \u00e1rea medida pelo laudo de vistoria do INCRA (22,315 hectares - fl. 131). <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- Ademais, o ressarcimento dos custos eventualmente pagos pelos expropriados para a ratifica\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo exorbitam os limites da presente a\u00e7\u00e3o. Cabe \u00e0 parte apelada, se for do seu interesse, ajuizar a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para o ressarcimento, comprovando os valores efetivamente despendidos. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>- Apelo provido. Improced\u00eancia do pedido e invers\u00e3o dos \u00f4nus de sucumb\u00eancia.' <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(TRIBUNAL QUARTA REGI\u00c3O, Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel, Processo: 2001.70.00.029544-4\/PR, \u00d3rg\u00e3o Julgador: Terceira Turma, Data da decis\u00e3o: 22\/05\/2006, DJ Data: 06\/09\/2006, p.: 714, Relator(a) Ju\u00edza Federal V\u00e2nia Hack de Almeida). <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Cab\u00edvel, portanto, a incid\u00eancia da Sumula na 343 do Supremo Tribunal Federal no presente caso. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>2.2. M\u00e9rito: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Caso superada a preliminar, melhor sorte n\u00e3o assiste \u00e0 rescis\u00f3ria quando analisado o m\u00e9rito da demanda. Isso porque n\u00e3o h\u00e1, na decis\u00e3o judicial que reconheceu v\u00e1lida a retitula\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis rurais promovida pelo INCRA, qualquer viola\u00e7\u00e3o a dispositivo legal, quer da legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, quer da ordem constitucional. Ao contr\u00e1rio, o processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria foi balizado nas normas que garantem a propriedade da Uni\u00e3o sobre as terras localizadas na faixa de fronteira, bem como nos dispositivos que impedem o enriquecimento sem causa decorrente do pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o quando ausente preju\u00edzo, conforme se demonstrar\u00e1 a seguir. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A) Inviabilidade jur\u00eddica da pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Constitui a mera retitula\u00e7\u00e3o de terras o objeto da a\u00e7\u00e3o, pois desde sempre pertencera o bem im\u00f3vel \u00e0 Uni\u00e3o (INCRA) por localizar-se em \u00e1rea de fronteira (faixa de at\u00e9 66 Km da divisa). A bem de evitar o agravamento de conflitos sociais na localidade, o Governo Federal optou por manter na terra os posseiros, procedendo \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, com outorga de T\u00edtulos Definitivos. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Com isso, dois tipos de situa\u00e7\u00e3o vem sendo debatidos em ju\u00edzo: (1) posseiros que ganharam do INCRA a propriedade e que postulam indeniza\u00e7\u00e3o; e (2) pessoas com t\u00edtulos de propriedade sem validade, dados pelo Estado do Paran\u00e1 (que nunca foram propriamente propriet\u00e1rios e jamais exerceram posse) e que tamb\u00e9m reivindicam indeniza\u00e7\u00e3o. Em qualquer dos casos, invi\u00e1vel qualquer pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria, conforme se analisa. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Quanto \u00e0 primeira situa\u00e7\u00e3o (1), na qual se enquadra o caso versado no presente feito, de posseiros que ganharam a propriedade pelo INCRA (com ou sem t\u00edtulo de dom\u00ednio inv\u00e1lido concedido pelo Estado do Paran\u00e1) e que ora postulam indeniza\u00e7\u00e3o, cedi\u00e7o reconhecer que os expropriados jamais perderam a posse de seus im\u00f3veis rurais. A situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica \u00e9, pois, de desapropria\u00e7\u00e3o para regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, o que significa que os posseiros irregulares - \"expropriados\" - tiveram a situa\u00e7\u00e3o juridicamente concertada, recebendo o dom\u00ednio de terras de que j\u00e1 detinham a posse para fins de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria. Em momento algum houve perda da posse, a n\u00e3o ser formalmente para fins de sua regulariza\u00e7\u00e3o, nunca deixando de usufruir do bem os \"expropriados\", nos termos dos art. 1196 do C\u00f3digo Civil. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Nessa perspectiva, a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria procedida pelo INCRA t\u00e3o-somente beneficiou os expropriados, que conservaram pleno uso e gozo da terra que, por fim, foi-lhes outorgada por t\u00edtulo definitivo, com conseq\u00fcente valoriza\u00e7\u00e3o por pacificados os conflitos possess\u00f3rios na regi\u00e3o. Cabe gizar que na desapropria\u00e7\u00e3o por interesse social \u00e9 imperativo o desapossamento da propriedade, para que, retirada daquele que n\u00e3o conferia ao im\u00f3vel sua fun\u00e7\u00e3o social, seja entregue a quem o fa\u00e7a. Ora, evidente que neste caso n\u00e3o houve desapropria\u00e7\u00e3o propriamente dita, pois os desapropriados n\u00e3o perderam a posse e ainda beneficiaram-se de sua titula\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Quanto \u00e0 segunda situa\u00e7\u00e3o (2), de pessoas com t\u00edtulos de propriedade sem validade jur\u00eddica concedidos pelo Estado do Paran\u00e1 (que nunca foram legalmente propriet\u00e1rios e jamais exerceram posse), igualmente mostra-se invi\u00e1vel qualquer indeniza\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova nesta Corte. A dominialidade sobre as terras em lit\u00edgio, que sempre foram da Uni\u00e3o por conta de tratar-se de \u00e1rea de fronteira, torna os t\u00edtulos de dom\u00ednio concedidos pelo Estado do Paran\u00e1 nulos de pleno direito. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A cria\u00e7\u00e3o da chamada faixa de fronteira (extens\u00e3o de terra destinada \u00e0 defesa das fronteiras do Brasil) deu-se na Constitui\u00e7\u00e3o de 1891, em seu art. 64. Como a Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o fixou-lhe a dimens\u00e3o, a doutrina p\u00e1tria considerou que fora recepcionada a Lei Imperial n\u00ba 601, que dispunha ser de 66 Km a faixa fronteiri\u00e7a. Tal normativa vigeu at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1934, que alargou a \u00e1rea de fronteira para 100 Km, no art. 166, mantendo, no entanto, o dom\u00ednio da Uni\u00e3o apenas nos 66 Km outrora fixados por for\u00e7a do art. 20 da mesma Carta Pol\u00edtica. Apenas na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1937 \u00e9 que os arts. 36, 165 e 180 distenderam a faixa de fronteira, sob dom\u00ednio da Uni\u00e3o, para 150 Km a partir dos limites do territ\u00f3rio nacional. Nesse sentido aponta Di Pietro:<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'A faixa de fronteira \u00e9 prevista desde a Lei n\u00ba 601, de 1850, cujo art. 1\u00ba fixava uma largura de dez l\u00e9guas. Essa faixa foi fixada depois em 100Km (Decreto n\u00ba 24.643, de 10-7-34, art. 29, l, c); depois passou a ser de 150Km (Decreto-Lei n\u00ba 852, 11-11-38, art. 2\u00b0, V); atualmente, \u00e9 mantida essa largura pela Lei n\u00ba 6.634, de 2-5-79'.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O dom\u00ednio das terras devolutas na faixa de 66 Km, em que se acha o im\u00f3vel objeto desta a\u00e7\u00e3o, sempre foi reconhecido \u00e0 Uni\u00e3o, o que torna as aliena\u00e7\u00f5es feitas pelo Estado do Paran\u00e1 nulas porquanto realizadas a non domino. Nesse vi\u00e9s, n\u00e3o se h\u00e1 de falar em validade do t\u00edtulo de propriedade da parte expropriada, sendo indevida qualquer pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria contra o INCRA. Se existente algum valor a ser restitu\u00eddo (eventual pagamento pelo expropriado ao Estado do Paran\u00e1 pelas terras a ele concedidas), tal discuss\u00e3o deve ser travada em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria entre o particular e o Estado Federado, pois a Uni\u00e3o n\u00e3o causou dano algum ao expropriado, nem jamais se desfez de sua propriedade. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Nesse sentido h\u00e1, inclusive, S\u00famula do Supremo Tribunal Federal, onde se afirma que \"as concess\u00f5es de terras devolutas situadas na faixa de fronteira, feitas pelos Estados, autorizam, apenas, o uso, permanecendo o dom\u00ednio com a Uni\u00e3o, ainda que se mantenha inerte ou tolerante, em rela\u00e7\u00e3o aos possuidores\" (S\u00famula STF na 477). <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Corroborando esse entendimento, o Pret\u00f3rio Excelso decidiu que o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o em feito expropriat\u00f3rio somente deve ser efetuado \u00e0quele que comprovar a titularidade do dom\u00ednio do im\u00f3vel desapropriado: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ementa: \" EMENTA: DECIS\u00d5ES JUDICIAIS PROFERIDAS EM A\u00c7\u00c3O DE EXPROPRIA\u00c7\u00c3O, DETERMINANDO A EXPEDI\u00c7\u00c3O DE PRECAT\u00d3RIOS RELATIVOS \u00c0 INDENIZA\u00c7\u00c3O FIXADA. ALEGADA OFENSA A AC\u00d3RD\u00c3O DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, QUE DECLAROU DE DOM\u00cdNIO DA UNI\u00c3O AS TERRAS ONDE SITUADOS OS IM\u00d3VEIS EXPROPRIADOS. Em nosso sistema jur\u00eddico-processual a desapropria\u00e7\u00e3o rege-se pelo princ\u00edpio segundo o qual a indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 paga sen\u00e3o a quem demonstre ser o titular do dom\u00ednio do im\u00f3vel que lhe serve de objeto (cf. art. 34 do DL n.\u00ba 3.365\/41; art. 13 do DL n.\u00ba 554\/69; e \u00a7 2.\u00ba do art. 6.\u00ba da LC n.\u00ba 76\/93). Caso em que o dom\u00ednio dos expropriados foi impugnado na pr\u00f3pria inicial da expropria\u00e7\u00e3o, sem preju\u00edzo do processamento desta, que teve o declarado objetivo de regularizar a situa\u00e7\u00e3o dos in\u00fameros ocupantes do im\u00f3vel, ent\u00e3o submetido a tens\u00e3o social. A\u00e7\u00e3o civil em curso, colimando a declara\u00e7\u00e3o de que as terras sempre foram de dom\u00ednio da Uni\u00e3o, qualidade que, de resto, fora reconhecida por decis\u00e3o do STF, no RE 52.331, em raz\u00e3o da qual resultou cancelado, por mandado judicial, o registro de que se originaram os t\u00edtulos aquisitivos dos expropriados. Absoluta inconsist\u00eancia, por outro lado, da alega\u00e7\u00e3o de que o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o valeu pelo reconhecimento da legitimidade do dom\u00ednio dos expropriados sobre o im\u00f3vel, racioc\u00ednio que, se admitido, levaria \u00e0 inocuidade do condicionamento legal do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 prova do dom\u00ednio. Tais as circunst\u00e2ncias, a expedi\u00e7\u00e3o do precat\u00f3rio determinada pelas decis\u00f5es impugnadas n\u00e3o se far\u00e1 sem ofensa ao decidido pelo STF no precedente invocado, porquanto importar\u00e1 indeniza\u00e7\u00e3o, pela Uni\u00e3o, de suas pr\u00f3prias terras. Proced\u00eancia da reclama\u00e7\u00e3o.' (STF, Rcl n\u00ba 2.020\/PR, Tribunal Pleno, Relator Ministro limar Galv\u00e3o, data do julgamento: 02\/10\/2002, publicado no DJ em 22\/11\/2002, p. 194)  <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Tendo em vista a inexist\u00eancia de qualquer dano (por (a) jamais ter havido perda da posse pelos posseiros; ou (b) nunca ter-se reconhecido a propriedade dos expropriados), n\u00e3o h\u00e1 que se falar em indeniza\u00e7\u00e3o. Conforme o art. 944, do CC, a indeniza\u00e7\u00e3o mede-se pela extens\u00e3o do dano, neste caso absolutamente inexistente. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A justa e pr\u00e9via indeniza\u00e7\u00e3o de que tratam os artigos 5\u00b0, inciso XXIV e 184 da CF\/88, para viabilizar desapropria\u00e7\u00e3o por interesse p\u00fablico, pressup\u00f5e etimologicamente \"indeniza\u00e7\u00e3o\" conforme reconhecida no C\u00f3digo Civil, ou seja, anterior exist\u00eancia de dano a ser ressarcido por nada mais representar do que recomposi\u00e7\u00e3o em pec\u00fania de um preju\u00edzo patrimonial ou personal\u00edssimo infligido. Nesse diapas\u00e3o a doutrina: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'INDENIZA\u00c7\u00c3O. Derivado do latim indemnis (indene), de que se formou no vern\u00e1culo o verbo indenizar (reparar, recompensar, retribuir), em sentido gen\u00e9rico quer exprimir toda compensa\u00e7\u00e3o ou retribui\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria feita por uma pessoa a outrem, para a reembolsar de despesas feitas ou para a ressarcir de perdas tidas. \u00c9 nesse sentido, indeniza\u00e7\u00e3o tanto se refere ao reembolso de quantias que algu\u00e9m despendeu por conta de outrem, ao pagamento feito para recompensa do que se fez ou para repara\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo ou dano que se tenha causado a outrem. \u00c9 portanto, em sentido amplo, toda repara\u00e7\u00e3o ou contribui\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, que se efetiva para satisfazer um pagamento a que se est\u00e1 obrigado ou que se apresenta como um dever jur\u00eddico. Traz a finalidade de integrar o patrim\u00f4nio da pessoa daquilo de que se desfalcou pelos desembolsos, de recomp\u00f4-10 pelas perdas ou preju\u00edzos sofridos (danos), ou ainda de acresc\u00ea-lo proventos, a que faz jus a pessoa, pelo seu trabalho.'  (gizado). <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'A indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 exig\u00eancia que se imp\u00f5e como forma de buscar o equil\u00edbrio entre o interesse p\u00fablico e o privado; o particular perde a propriedade e, como compensa\u00e7\u00e3o, recebe o valor correspondente ao dinheiro (agora, em algumas hip\u00f3teses, substituindo por t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica). Diz Marcello Caetano (1970, v. 2:960) que 'a explora\u00e7\u00e3o vem a resolver-se numa convers\u00e3o de valores patrimoniais: no patrim\u00f4nio onde estavam os im\u00f3veis, a entidade expropriante p\u00f5e o seu valor pecuni\u00e1rio'. E acrescenta que 'a garantia principal da justi\u00e7a da indeniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 na possibilidade de, em caso de desacordo, o expropriado poder recorrer aos tribunais judiciais para discutir o seu montante'<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'4.4. Elemento material: indemnizaci\u00f3n. La competencia constitucional para adquirir el dominio sobre el bien desapropiado est\u00e1 subordinada a la condici\u00f3n de que el patrimonio de su propietario quede indemne, es decir, sin dano. Una expropiaci\u00f3n sin indemnizaci\u00f3n, o com indeminizaci\u00f3n injusta importa una confiscaci\u00f3n o despojo carente de sustento jur\u00eddico. La indeminizacion es una compensaci\u00f3n econ\u00f3mica debida ai expropiado por el sacrificio impuesto en el inter\u00e9s p\u00fablico. (...) <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"a) Indemnizaci\u00f3n justa. La indemnizaci\u00f3n debe ser integralmente justa. Si bien la Constituci\u00f3n no lo declara de modo expresso, ello surge dei car\u00e1cter y sentido de la indemnizaci\u00f3n, como modo de resarcimiento. Indemnizar quiere decir dejar indemne o sin dano. Equivale a dar ai expropiado en dinero, el mismo valor de la propiedad que se le priva. La expropiaci\u00f3n no debe empobrecer ni enriquecer ai expropiado, sino dejarlo en igual situaci\u00f3n econ\u00f3mica. La indemnizaci\u00f3n, para ser justa, debe ser objetiva, actual e integral\". <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"DANO. Derivado do latim damnum, genericamente, significa todo mal ou ofensa que tenha uma pessoa causado a outrem, da qual possa resultar uma deteriora\u00e7\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o \u00e0 coisa dele ou um preju\u00edzo a seu patrim\u00f4nio. Possui, assim, o sentido econ\u00f4mico de diminui\u00e7\u00e3o ocorrida ao patrim\u00f4nio de algu\u00e9m, por ato ou fato estranho \u00e0 sua vontade. Equivale, em sentido, a perda ou preju\u00edzo. Juridicamente, dano \u00e9, usualmente, tomado no sentido do efeito que produz: \u00e9 o preju\u00edzo causado, em virtude de ato de outrem, que vem causar diminui\u00e7\u00e3o patrimonial. Assim, est\u00e1 conforme \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de PAULUS: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'Damnum et dominatio ab ademptione et quasi deminutione patrimonii dicta sunt.' <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>E, neste sentido, tanto se entende o dano aquiliano, que resulta do ato il\u00edcito, como o dano contratual, fundado na ofensa \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o contratual. Seja, pois, contratual ou aquiliano, o dano, para ser ressarc\u00edvel, merece fundar-se na efetiva diminui\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f4nio ou na ofensa de um bem juridicamente protegido, por culpa ou dolo do agente. E, dentro deste conceito, diz-se dano patrimonial, quando o preju\u00edzo \u00e9 consequente de diminui\u00e7\u00e3o patrimonial ou deteriora\u00e7\u00e3o de coisas materiais; dano moral, quando atinge bens de ordem moral, tais como a liberdade, a honra, a profiss\u00e3o, a fam\u00edlia. Ao dano material, tamb\u00e9m se diz dano real, em vista de a viola\u00e7\u00e3o representar inequ\u00edvoca danifica\u00e7\u00e3o \u00e0 coisa , em face do que perde esta a sua utilidade ou v\u00ea diminuir o seu valor.\"<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Desses conceitos verifica-se que a premissa f\u00e1tica (dano) n\u00e3o existe, inviabilizando neste caso a conseq\u00fc\u00eancia jur\u00eddica (indeniza\u00e7\u00e3o). N\u00e3o faz(em), assim, o(s) \"expropriado(s)\" jus a qualquer indeniza\u00e7\u00e3o por jamais ter(em) sofrido priva\u00e7\u00e3o de posse e\/ou propriedade imobili\u00e1ria. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Cumpre ainda assentar que o Decreto-Lei n\u00ba 1.414\/75 permitiu a ratifica\u00e7\u00e3o de posse em \u00e1reas de terras devolutas (de propriedade da Uni\u00e3o). N\u00e3o houve, assim, desapossamento algum da \u00e1rea rural \"desapropriada\". A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o gerou dano porque a autarquia federal, embora formalmente imitida na posse da gleba rural, jamais obstaculizou o uso e gozo do im\u00f3vel por parte dos \"desapropriados-retitulados\", que tiveram sua posse reconhecida e ratificada no decreto supra mencionado. Assim, descabida compensa\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, pois n\u00e3o houve desapossamento propriamente dito, mas sim ratifica\u00e7\u00e3o da posse para os verdadeiros possuidores\/ocupantes, com a concess\u00e3o - aos mesmos - de t\u00edtulo de propriedade rural. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Por via de conseq\u00fc\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 que se suscitar justa e pr\u00e9via indeniza\u00e7\u00e3o (formada pelo valor do im\u00f3vel e dano decorrente de impossibilidade de frui\u00e7\u00e3o), porquanto n\u00e3o decorreu da medida praticada pelo INCRA dano algum, antes, ao contr\u00e1rio, ou a) os posseiros deixaram de estar irregular e precariamente nas terras para virar propriet\u00e1rios - com t\u00edtulo - de \u00e1rea delimitada; ou b) os sedizentes propriet\u00e1rios, lastreados em falsos t\u00edtulos (por n\u00e3o terem sido concedidos por quem era o leg\u00edtimo propriet\u00e1rio da \u00e1rea), jamais adimpliram requisito fundamental a ensejar eventual expropria\u00e7\u00e3o, qual seja, a posse das terras. Portanto, para os posseiros de fato implicaria a indeniza\u00e7\u00e3o dupla vantagem, e para os falsamente titulados vantagem indevida. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Haveria, assim, em qualquer das duas situa\u00e7\u00f5es, enriquecimento sem causa, o que \u00e9 vedado nos termos dos arts. 884, 885 e 886, do C\u00f3digo Civil. Conforme j\u00e1 analisado, o pagamento indevido determinado judicialmente implica desequil\u00edbrio manifesto entre os fatos e suas conseq\u00fc\u00eancias, pois os expropriados ficam sendo irregularmente beneficiados. Os posseiros pela titula\u00e7\u00e3o da propriedade imobili\u00e1ria e pelo pagamento de injustificada indeniza\u00e7\u00e3o por dano inexistente; e os titulados irregularmente com indeniza\u00e7\u00e3o por \u00e1reas de terras que nunca foram nem poderiam ter sido suas da forma como se fez. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>B) Possibilidade de se discutir a quest\u00e3o dominial na a\u00e7\u00e3o expropriat\u00f3ria: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O sistema de organiza\u00e7\u00e3o interna do Estado brasileiro, em raz\u00e3o da forte influ\u00eancia exercida pela cl\u00e1ssica teoria da reparti\u00e7\u00e3o das atividades estatais em tr\u00eas esferas distintas, outorgou ao Poder Judici\u00e1rio, atrav\u00e9s de previs\u00e3o expressa na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o monop\u00f3lio da fun\u00e7\u00e3o jurisdicional. A aplica\u00e7\u00e3o das leis aos casos concretos \u00e9, portanto, prerrogativa restrita aos juizes, \u00fanicos sujeitos habilitados para o exerc\u00edcio dessa fun\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ao exercer sua atribui\u00e7\u00e3o, o magistrado deve, de acordo com a lide posta em an\u00e1lise, adotar o procedimento mais adequado para solucion\u00e1-la, sempre atento \u00e0s peculiaridades do caso. Dessa forma, a atividade do julgador, em raz\u00e3o do estreito v\u00ednculo com a din\u00e2mica social, jamais pode ficar afastada da realidade, com vistas a garantir a cogni\u00e7\u00e3o adequada em cada situa\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, a justi\u00e7a do provimento final, conforme nos ensina Kazuo Watanabe: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A justi\u00e7a precisa ser rente \u00e0 realidade social. Essa ader\u00eancia \u00e0 vida somente se consegue com o agu\u00e7amento da sensibilidade human\u00edstica e social dos ju\u00edzes, o que necessariamente requer prepara\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o. Para a cogni\u00e7\u00e3o adequada em cada caso, pressuposto de um julgamento justo, a sensibilidade mencionada \u00e9 um elemento imposterg\u00e1vel. N\u00e3o seria, certamente, um exagero afirmar-se que o direito \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o adequada faz mesmo parte do conceito menos abstrato do princ\u00edpio do juiz natural. (grifei) <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Em raz\u00e3o dessa l\u00f3gica, o tratamento conferido a determinadas situa\u00e7\u00f5es deve se modificar para que n\u00e3o fique distante dos interesses coletivos. Mesmo que uma demanda julgada hoje guarde semelhan\u00e7a com outra apreciada no passado, nada impede que o julgador, sens\u00edvel aos fen\u00f4menos de transforma\u00e7\u00e3o social, analise os feitos de modo diverso. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Todavia, a Lei Complementar 76\/93, editada com o objetivo de atualizar o rito adotado para as a\u00e7\u00f5es de desapropria\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o obteve o efeito esperado, tendo em vista a resist\u00eancia de alguns julgadores que continuam visualizando o processo expropriat\u00f3rio sob uma \u00f3tica muito restrita. Assim, n\u00e3o h\u00e1 qualquer exagero em se afirmar, na peculiar hip\u00f3tese dos autos, a possibilidade de, nos termos do art. 9\u00ba da Lei Complementar 76\/93, atribuir-se ampla cognoscibilidade \u00e0 a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o, para discutir a quest\u00e3o dominial nos pr\u00f3prios autos do feito expropriat\u00f3rio, com vistas a adequar o rito adotado \u00e0s particularidades da lide. Eis a reda\u00e7\u00e3o do mencionado dispositivo legal: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Art. 9\u00ba A contesta\u00e7\u00e3o deve ser oferecida no prazo de quinze dias se versar mat\u00e9ria de interesse da defesa, exclu\u00edda a aprecia\u00e7\u00e3o quanto ao interesse social declarado. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00a7 1\u00ba Recebida a contesta\u00e7\u00e3o, o juiz, se for o caso, determinar\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de prova pericial, adstrita a pontos impugnados do laudo de vistoria administrativa, a que se refere o art. 5\u00b0, inciso IV e, simultaneamente: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>I - designar\u00e1 o perito do ju\u00edzo; <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>II - formular\u00e1 os quesitos que julgar necess\u00e1rios; <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>III - intimar\u00e1 o perito e os assistentes para prestar compromisso, no prazo de cinco dias; <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>IV - intimar\u00e1 as partes para apresentar quesitos, no prazo de dez dias. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00a7 2\u00ba A prova pericial ser\u00e1 conclu\u00edda no prazo fixado pelo juiz, n\u00e3o excedente a sessenta dias, contado da data do compromisso do perito. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ao julgar procedente a a\u00e7\u00e3o, afastando o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o e ratificando a propriedade em favor dos expropriados, o ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo, interpretando de forma correta a norma citada, dirimiu a controv\u00e9rsia relativa ao dom\u00ednio nos pr\u00f3prios autos da a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o, submetendo o objeto da lide a um processo de cogni\u00e7\u00e3o plena e exauriente. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Saliente-se, ainda, que o caput do art. 9\u00b0 da Lei Complementar 76\/93, proibiu a contesta\u00e7\u00e3o apenas quanto ao interesse social declarado, n\u00e3o havendo, contudo, qualquer impedimento no que concerne \u00e0 discuss\u00e3o de outras controv\u00e9rsias, como, por exemplo, a produtividade do im\u00f3vel, o valor da indeniza\u00e7\u00e3o e, porque n\u00e3o, o dom\u00ednio. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Assim, a evolu\u00e7\u00e3o do direito processual civil exige uma mudan\u00e7a na maneira de encarar a a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o que, em raz\u00e3o de previs\u00e3o legal expl\u00edcita, deve ser conduzida de forma a propiciar uma cogni\u00e7\u00e3o ampla e exauriente a respeito da controv\u00e9rsia. Impedir que se discuta a quest\u00e3o dominial na a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o obstaculiza a celeridade do processo, afrontando um dos princ\u00edpios basilares do direito processual civil: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'O processo civil deve-se inspirar no ideal de propiciar \u00e0s partes uma Justi\u00e7a barata e r\u00e1pida, do que se extrai a regra b\u00e1sica de que \"deve tratar-se de obter o maior resultado com o m\u00ednimo de emprego de atividade processual\". '<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Inclusive, a possibilidade de ampla cogni\u00e7\u00e3o encontra respaldo na ordem constitucional, caracterizando-se como uma das formas que o magistrado tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para obter a efetiva tutela jurisdicional dos interesses submetidos \u00e0 sua aprecia\u00e7\u00e3o: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'Cabe deixar anotado, aqui, que as limita\u00e7\u00f5es ao direito do contradit\u00f3rio e, por via de conseq\u00fc\u00eancia, da cogni\u00e7\u00e3o do juiz, sejam estabelecidas em lei processual ou em lei material, se impossibilitam a efetiva tutela jurisdicional do direito contra qualquer forma de denega\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, ferem o princ\u00edpio da inafastabilidade do controle jurisdicional e por isso s\u00e3o inconstitucionais (ofensa ao inciso XXXV do art. 5\u00b0 da CF 88; na CF anterior, art. 153, \u00a7 4\u00b0)'.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Lapidar \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o da Corte Constitucional no que concerne \u00e0 efic\u00e1cia da legisla\u00e7\u00e3o que disciplina o rito das a\u00e7\u00f5es de desapropria\u00e7\u00e3o: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ementa: \"REFORMA AGR\u00c1RIA. IM\u00d3VEL RURAL PARA ESSE FIM DECLARADO DE INTERESSE SOCIAL. MANDADO DE SEGURAN\u00c7A POR MEIO DO QUAL SE POSTULA SEJA CONFERIDO EFEITO SUSPENSIVO \u00c0 MEDIDA DE PRODU\u00c7\u00c3O ANTECIPADA DE PROVA PERICIAL, DESTINADA \u00c0 DEMONSTRA\u00c7\u00c3O DE QUE SE TRATA DE IM\u00d3VEL PRODUTIVO, IMUNE \u00c0 DESAPROPRIA\u00c7\u00c3O. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Manifesto desprop\u00f3sito da pretens\u00e3o, posto que a prova obtida pelo meio indicado dever\u00e1 ser oferecida, ou mesmo produzida, no bojo da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o, hoje de amplo car\u00e1ter cognitivo, como previsto no art. 9\u00b0. Da LC n\u00ba 76\/93. (grifei) <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Mandado de seguran\u00e7a indeferido.'<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(STF, MS n\u00ba 22698-6\/MG, Tribunal Pleno, Relator Ministro Ilmar Galv\u00e3o, data da decis\u00e3o 05\/06\/1997). <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Conclui-se, assim, que n\u00e3o houve desapropria\u00e7\u00e3o, mas sim ratifica\u00e7\u00e3o da posse e retitula\u00e7\u00e3o dos autores, n\u00e3o havendo perda de propriedade e, conseq\u00fcentemente, n\u00e3o se podendo falar em indeniza\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>3. CONCLUS\u00c3O: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Por essas raz\u00f5es, o MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO FEDERAL opina pelo provimento dos embargos infringentes, para que prevale\u00e7a o entendimento externado nos votos vencidos.\" <\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"\u00c9 o relat\u00f3rio."},{"tipo":"PN","txt":"Pe\u00e7o dia."},{"tipo":"PN","txt":"Afiguram-se-me irrefut\u00e1veis as considera\u00e7\u00f5es desenvolvidas no voto da eminente Ju\u00edza Federal Cl\u00e1udia  Cristina Cristofani, a fls. 675\/6, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'VOTO <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O autor, mediante a presente a\u00e7\u00e3o, visa a rescindir em parte ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela 3\u00aa Turma desta Corte, que entendeu por negar pedido de que fosse indenizado pela retitula\u00e7\u00e3o de terras.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria \u00e9 meio de impugna\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as. Tem ela por objeto desconstituir senten\u00e7a de m\u00e9rito transitada em julgado. Ataca, portanto, a coisa julgada. Como a autoridade da coisa julgada \u00e9 de extrema import\u00e2ncia em nosso sistema jur\u00eddico, porque \u00e9 ela que d\u00e1 seguran\u00e7a e estabilidade \u00e0s decis\u00f5es jurisdicionais, somente em situa\u00e7\u00f5es excepcionais \u00e9 que se possibilita viol\u00e1-la. Tais casos acham-se enumerados taxativamente em nossa lei processual civil.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>No caso em comento, a Terceira Turma entendeu n\u00e3o fazer jus o autor \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o postulada, em virtude da retitula\u00e7\u00e3o das terras. Da an\u00e1lise dos autos, entendo n\u00e3o restar configuradas as hip\u00f3teses ensejadoras da rescis\u00e3o parcial do julgado. Ao contr\u00e1rio, vislumbro que o objetivo do autor \u00e9 buscar simplesmente o reexame de mat\u00e9ria debatida quando do processamento da a\u00e7\u00e3o precedente em face de sua alegada injusti\u00e7a. O fato de a a\u00e7\u00e3o originariamente ajuizada ter sido desmembrada em diversas a\u00e7\u00f5es desapropriat\u00f3rias e de ter havido desfechos diversos n\u00e3o caracteriza ofensa \u00e0 coisa julgada, uma vez que, no momento da reautua\u00e7\u00e3o dos feitos, tornaram-se aut\u00f4nomos. As decis\u00f5es diversas s\u00e3o oriundas de interpreta\u00e7\u00f5es diferentes dadas a uma quest\u00e3o muito pol\u00eamica \u00e0 \u00e9poca, o que, de per si, n\u00e3o configura ofensa \u00e0 literal disposi\u00e7\u00e3o de lei.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>N\u00e3o se quer, com isso, excluir da aprecia\u00e7\u00e3o do judici\u00e1rio quest\u00f5es relevantes que ensejariam a desconstitui\u00e7\u00e3o do julgado, todavia, friso, n\u00e3o \u00e9 o caso sob exame, em que houve a aprecia\u00e7\u00e3o dos elementos carreados aos autos e a elabora\u00e7\u00e3o de entendimentos coerentes com os princ\u00edpios gerais do direito, n\u00e3o se caracterizando, assim, o alegado erro de fato.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Em refor\u00e7o \u00e0 tese ora esbo\u00e7ada, trago \u00e0 cola\u00e7\u00e3o o aresto assim ementado:<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>PROCESSUAL CIVIL. A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA. FATO. ART. 485, IX, DO CPC. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>1. Em nosso direito n\u00e3o \u00e9 a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria recurso, a justificar o reexame e a nova decis\u00e3o com a finalidade de corrigir suposta injusti\u00e7a na sua aprecia\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>2. \"omissis\". <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>3. A\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria julgada improcedente. (TRF4\u00aa Regi\u00e3o, AR n\u00ba 2001.04.01.086875-0\/RS, SEGUNDA SE\u00c7\u00c3O, Relator JUIZ CARLOS EDUARDO THOMPSON FLORES LENZ, DJU de 28\/08\/2002, p\u00e1g. 563).<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ademais, na esteira da orienta\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria e jurisprudencial, foi editada, pelo Supremo Tribunal Federal, a S\u00famula n\u00b0 343, com o seguinte enunciado, que considero aplic\u00e1vel ao caso em exame:<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\" N\u00e3o cabe a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria por ofensa a literal disposi\u00e7\u00e3o de lei, quando a decis\u00e3o rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpreta\u00e7\u00e3o controvertida nos tribunais.\"<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Por fim, com o intuito de n\u00e3o obstaculizar o acesso \u00e0s inst\u00e2ncias Superiores e de agilizar a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional, evitando-se a interposi\u00e7\u00e3o de embargos de declara\u00e7\u00e3o t\u00e3o-somente para fins de prequestionamento, considero prequestionadas todas as quest\u00f5es debatidas no feito, em especial o art. 485, IV, V, IX, \u00a7 1\u00ba, do CPC.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>ISSO POSTO, julgo improcedente a rescis\u00f3ria, condenando a autora a pagar honor\u00e1rios de advogado \u00e0 raz\u00e3o de 10% do valor atualizado atribu\u00eddo \u00e0 causa.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00c9 como voto.'<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Consoante assinalado pelo eminente Min. Djaci Falc\u00e3o, a rescis\u00f3ria possui natureza excepcional, onde \u00e9 examinada uma presta\u00e7\u00e3o jurisdicional visando desfazer a imutabilidade decorrente da coisa julgada e, via de conseq\u00fc\u00eancia, desconstitui-se a decis\u00e3o judicial violadora ao direito objetivo, n\u00e3o se destinando, contudo, precipuamente, a corrigir poss\u00edvel injusti\u00e7a."},{"tipo":"PN","txt":"Por outro lado, importa acentuar-se que a estabilidade dos julgados \u00e9 imprescind\u00edvel \u00e0 ordem jur\u00eddica, que n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ficar comprometida ao sabor da mera interpreta\u00e7\u00e3o dos textos legais."},{"tipo":"PN","txt":"Nesse sentido, o princ\u00edpio que o art. 800 do CPC\/1939 expressamente consagrava, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"A injusti\u00e7a da senten\u00e7a e a m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o da prova ou err\u00f4nea interpreta\u00e7\u00e3o do contrato n\u00e3o autorizam o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.\"<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Essa \u00e9 a jurisprud\u00eancia da Suprema Corte, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(...)<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Alcance da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria. A estabilidade dos julgados \u00e9 imprescind\u00edvel \u00e0 ordem jur\u00eddica, que n\u00e3o pode ficar comprometida ao sabor da mera interpreta\u00e7\u00e3o dos textos legais<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Improced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.\"<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria n\u00ba 1.167\/DF, , Rel. Min. Djaci Falc\u00e3o, in RTJ 115\/61)<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Ademais, pac\u00edfico entendimento, tanto da doutrina, como da jurisprud\u00eancia do Pret\u00f3rio Excelso, a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, pelo seu car\u00e1ter excepcional, n\u00e3o \u00e9 ju\u00edzo de reexame ou retrata\u00e7\u00e3o, \u00e0 semelhan\u00e7a do que sucede com os recursos ordin\u00e1rios, mas, isso sim, constitui instrumento processual id\u00f4neo \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o da ofensa clara e inequ\u00edvoca \u00e0 literal disposi\u00e7\u00e3o de lei, que configura o fundamento da conclus\u00e3o da decis\u00e3o. Nessa linha, a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9, pois, expurgar da senten\u00e7a o defeito grave, que a vicia por error in judicando (A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria n\u00ba754-GB, rel. Min. Aliomar Baleeiro, in RTJ 73\/338; A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria n\u00ba1.135-PR, rel. Min. Alfredo Buzaid, in RTJ 110\/505; Francesco Carnelutti, in <U>Sistema del Diritto Processuale Civile<\/U>, CEDAM, Padova, 1938, t.2, p.609, n\u00ba594, E. Glasson, Albert Tissier e Ren\u00e9 Morel, in <U>Trait\u00e9 Th\u00e9orique et Pratique D'Organisation Judiciaire<\/U>, de Comp\u00e9tence et de Proc\u00e9dure Civile, 3\u00aa ed., Libr. du Recueil Sirey, Paris, 1929, t.3, p.474)."},{"tipo":"PN","txt":"\u00c9 manifesto, no caso, a impropriedade da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, cujos pressupostos encontram-se delineados no C\u00f3digo de Processo Civil, residindo, fundamentalmente, na nulidade da decis\u00e3o judicial, e n\u00e3o na injusti\u00e7a da mesma."},{"tipo":"PN","txt":"N\u00e3o h\u00e1 ofensa a literal disposi\u00e7\u00e3o de lei quando a interpreta\u00e7\u00e3o dada a ela n\u00e3o destoa do seu texto. A \"m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o que justifica o 'judicium rescidens' h\u00e1 de ser de tal modo aberrante do texto que equivalha \u00e0 sua viola\u00e7\u00e3o literal\" (in RT 634\/93)."},{"tipo":"PN","txt":"Nesse sentido, pronuncia-se a jurisprud\u00eancia, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"N\u00e3o \u00e9 a rescis\u00f3ria, em nosso Direito, um recurso, a placitar o reexame e a nova decis\u00e3o conseq\u00fcente, como se fora uma terceira inst\u00e2ncia de julgamento. \u00c9, ao contr\u00e1rio, uma a\u00e7\u00e3o especial, a\u00e7\u00e3o de desconstitui\u00e7\u00e3o de julgado, se ocorrerem os defeitos que a lei taxativamente enumera (Ac. un\u00e2n. do 4\u00ba Gr. de C\u00e2ms. do TI-RJ de 9.5.79, na AR 137, rel. Des. HAMILTON DE MORAES E BARROS).\"<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"O fundamento da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria reside na nulidade da senten\u00e7a e n\u00e3o na injusti\u00e7a da decis\u00e3o; consequentemente, \u00e9 inadmiss\u00edvel para reexame da prova com a finalidade de corrigir suposta injusti\u00e7a na sua aprecia\u00e7\u00e3o (Ac. un\u00e2n. das C\u00e2ms. Reuns. do TJ-SC, de 14.10.81, na AR 283, rel. Des. NELSON KONRAD, Jurisp. Catarinense, vol. 35, p. 359).\"<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Da mesma forma leciona a doutrina, nos termos do magist\u00e9rio de Ernane Fid\u00e9lis dos Santos, em seu conceituado Manual de Direito Processual Civil, 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Saraiva, 1999, v. 1, p. 637, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"A rescis\u00f3ria n\u00e3o tem objetivo de corrigir amplamente a m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o do direito, pois, no interesse p\u00fablico, a coisa julgada fala mais alto. Da\u00ed restringir-se a motiva\u00e7\u00e3o \u00e0 literal disposi\u00e7\u00e3o de lei, ou seja, dispositivo legal escrito, n\u00e3o importando, por\u00e9m, sua forma e origem.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Tamb\u00e9m n\u00e3o serve a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para imprimir novo rumo \u00e0s decis\u00f5es que est\u00e3o em controv\u00e9rsia com outras, na interpreta\u00e7\u00e3o da lei. N\u00e3o \u00e9 ela instrumento de uniformiza\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia. As senten\u00e7as podem ser controvertidas, sem que nenhuma delas viole disposi\u00e7\u00e3o literal de lei, mesmo que haja at\u00e9 contrariedade \u00e0 S\u00famula do Supremo Tribunal Federal ou de outros tribunais.\"<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Assim, do meditado exame das hip\u00f3teses enumeradas no art. 485 do CPC, constata-se, sem qualquer dificuldade, a imprestabilidade, no caso dos autos, da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para obter o resultado pretendido na pe\u00e7a vestibular."},{"tipo":"PN","txt":"Ademais, em se tratando de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ajuizada com fundamento no art.485, IX, do CPC, a evid\u00eancia do erro deve emergir do simples confronto entre as declara\u00e7\u00f5es da senten\u00e7a e os atos e documentos da causa, o que, no caso em exame, nos termos do parecer transcrito, n\u00e3o se configurou."},{"tipo":"PN","txt":"A respeito, pertinente o magist\u00e9rio de Salvatore Satta, em seu Diritto Processuale Civile, 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Cedam, 1981, p.530, nota 17, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"\u00c8 ormai principio consolidato in giurisprudenza che l'errore di fatto, deducibile con impugnazione per revocazione ai sensi dell'art. 395, n.4 c.p.c., consiste in una falsa percezione della realt\u00e0, in una svista obiettivamente ed immediatamente rilevabile, che abbia portato il giudice ad affermare o supporre l'esistenza di un fatto decisivo, incontestabilmente escluso dagli atti e dai documenti di causa, ovvero l'inesistenza di un fatto decisivo, sempre che il fatto medesimo non costituisca punto controverso sul quale il giudice abbia pronunciato.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>L'erronea supposizione o negazione deve profilarsi pertanto come un presupposto essenziale se non unico, della decisione e deve presentarsi con i caratteri dell'evidenza, dell'obiettivit\u00e0 e della rilevabilit\u00e0 immediate. Tale errore non \u00e8 ravvisabile nel caso in cui si assuma che il giudice abbia omesso di esaminare, su una questione oggetto di discussione fra le parti, le prove documentali prodotte e specificamente indicate, ovvero abbia proceduto ad una erronea e incompleta valutazione delle medesime, traducendosi siffatta doglianza in una censura di errore di giudizio, che esorbita dall'ambito dell'impugnazione per revocazione, ed \u00e8 solo denunciabile con ricorso per cassazione, nei limiti consentiti dall'art.360, n.5 c.p.c. >> (Cass.20 gennaio 1977, n.280; Cass 15 marzo 1977, n.1036, Cass. 5 aprile 1977, n.1297).\"<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Com efeito, a alega\u00e7\u00e3o de que houve erro de fato deve ser repelida, posto que o erro autorizador da rescis\u00f3ria deve decorrer da desaten\u00e7\u00e3o do julgador e n\u00e3o da aprecia\u00e7\u00e3o da prova, bem como deve ser capaz, por si s\u00f3, de lhe assegurar pronunciamento favor\u00e1vel."},{"tipo":"PN","txt":"Nesse sentido \u00e9 a jurisprud\u00eancia que trazemos \u00e0 cola\u00e7\u00e3o:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"O erro de fato que d\u00e1 margem \u00e0 rescis\u00f3ria \u00e9 aquele que, observados os requisitos do inciso IX do art. 485, CPC, serve de fundamento a senten\u00e7a rescind\u00edvel, que teria chegado a conclus\u00e3o diversa n\u00e3o fora ele\" (RTJ 136\/55).<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"O erro autorizador da rescis\u00f3ria \u00e9 aquele decorrente da desaten\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o do julgador quanto \u00e0 prova, n\u00e3o, pois, o decorrente do acerto ou desacerto do julgado em decorr\u00eancia da aprecia\u00e7\u00e3o dela\" (Boletim AASP 1.678\/supl., p. 6).<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"\u00c9 preciso que o erro de fato tenha sido 'capaz, por si s\u00f3, de (...) assegurar pronunciamento favor\u00e1vel' \u00e0 parte contr\u00e1ria (v. inciso VII; neste sentido: STJ-RT 681\/199), de sorte a ser 'razo\u00e1vel presumir que o juiz n\u00e3o teria julgado como o fez se tivesse atentado para a prova\" (STF-Pleno, AR 991-6-PB, j. 5.9.79, julgaram improcedente, v.u., DJU 21.3.80, p. 1.550, 3\u00aa col., em.) (trechos extra\u00eddos do \"CPC e Legisla\u00e7\u00e3o Processual em vigor\", de Thet\u00f4nio Negr\u00e3o, 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1996, notas 43 e 44, art. 485, IX).<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"PROCESSUAL CIVIL - A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA DECAD\u00caNCIA - ERRO DE FATO. I - Referentemente a decad\u00eancia, e da doutrina que a simples entrega da peti\u00e7\u00e3o j\u00e1 constitui ato de exerc\u00edcio do direito, porque, se at\u00e9 o momento derradeiro a pretens\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 desmunida de a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode, sem indefens\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o de prazo, dizer extinto o direito. II - Para que ocorra erro de fato \u00e9 preciso que este tenha sido capaz, por si s\u00f3, de assegurar pronunciamento favor\u00e1vel \u00e0 parte contr\u00e1ria. III - A\u00e7\u00e3o improcedente.\"(STJ, A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria n\u00b0 223, Segunda Se\u00e7\u00e3o, Relator Min. Waldemar Zveiter, DJ de 04.11.91, p\u00e1g. 15652)<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Destarte, o que o autor pretende, na realidade, \u00e9 o reexame das provas ofertadas na a\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 invi\u00e1vel em sede de A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria. Neste sentido \u00e9 a ementa abaixo transcrita:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"Erro de fato. Tal pretexto n\u00e3o serve ao reexame da valora\u00e7\u00e3o da prova, vedado \u00e0 a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.\" (RTFR 139\/21).<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Ademais, \u00e9 conveniente transcrever o voto proferido pela culta Des. Federal Marga Tessler quando do julgamento da apela\u00e7\u00e3o, a fls. 490\/2, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"A desapropria\u00e7\u00e3o em tela abrange \u00e1rea denominada \"Col\u00f4nia Guairac\u00e1\", correspondentes a glebas de n\u00ba 1 a 7, cabendo aos expropriados a seguinte por\u00e7\u00e3o: a Telmo Jesus da Silva coube  13,6 ha (treze hectares e seis ares), fl. 118; a Reynaldo Ant\u00f4nio Biazuz , 35,6 ha (trinta e cinco hectares e seis ares), fl. 166.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Conforme o documento da fl. 14, o INCRA efetuou dep\u00f3sito de 31.894 (trinta e um mil oitocentos e noventa e quatro) TDAs, a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A senten\u00e7a, entretanto, adotou orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que sequer \u00e9 poss\u00edvel aos expropriados o levantamento das quantias referentes a esse dep\u00f3sito, pois o INCRA, ap\u00f3s a imiss\u00e3o na posse, teria feito uma retitula\u00e7\u00e3o das terras, tendo a posse desta permanecido com os expropriados.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>De fato, os pr\u00f3prios r\u00e9us, depois da desapropria\u00e7\u00e3o, passaram a ser titulares das terras, de forma que n\u00e3o perderam a posse. Resta saber, entretanto, se isso enseja a impossibilidade de indeniza\u00e7\u00e3o.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A jurisprud\u00eancia dominante \u00e9 no sentido de que o valor depositado pela parte expropriante pode ser levantado pelos expropriados. Apenas n\u00e3o incidem juros compensat\u00f3rios, em virtude de n\u00e3o ter havido perda da posse. Nesse sentido, transcrevo os seguintes julgados:<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"DESAPROPRIA\u00c7\u00c3O POR INTERESSE SOCIAL PARA FINS DE REFORMA AGR\u00c1RIA.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>1. Desapropria\u00e7\u00e3o foi realizada para regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Se o desapropriado teve a sua esposa titulada pelo INCRA, n\u00e3o teve nenhum preju\u00edzo com a desapropria\u00e7\u00e3o, mas sim benef\u00edcio, visto que continuou com o im\u00f3vel, medido e demarcado pelo INCRA, e recebeu um t\u00edtulo isento de d\u00edvidas.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>2. Nessas condi\u00e7\u00f5es, o valor depositado pela autarquia initio litis \u00e9 suficiente como pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o, sendo indevidos juros de mora e honor\u00e1rios advocat\u00edcios.\"<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(AC n\u00ba 95.04.13850-0\/SC, Rel. Juiz Jo\u00e3o Surreaux Chagas, 5\u00aa Turma, j. 14.11.1996, DJ de 18.12.1996, p. 98479.)<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIA\u00c7\u00c3O DIRETA. RETITULA\u00c7\u00c3O. HONOR\u00c1RIOS ADVOCAT\u00cdCIOS.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>1. A restitui\u00e7\u00e3o na propriedade do  im\u00f3vel desapropriado, implicando aus\u00eancia de desapossamento, imp\u00f5e a deprecia\u00e7\u00e3o do valor da indeniza\u00e7\u00e3o.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(...)\"<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(AC n\u00ba 95.04.00958-1\/SC, Rel. Juiz Paulo Afonso Brum Vaz, 3\u00aa Turma, j. 19.11.1998, Dj de 20.01.1999, p. 367)<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A tese, contudo, n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime no \u00e2mbito do TRF s 4\u00aa Regi\u00e3o. H\u00e1 diverg\u00eancias como se v\u00ea :<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"DESAPROPRIA\u00c7\u00c3O. INTERESSE SOCIAL. PRE\u00c7O JUSTO. INDENIZA\u00c7\u00c3O. CONV\u00caNIO ENTRE O INCRA E O ESTADO DE SANTA CATARINA.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>1. O pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o de terra nua deve ser feito em TDAs.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>2. Tendo em vista que os expropriados foram retitulados na \u00e1rea, cumpre indeniz\u00e1-los, ent\u00e3o, pelo 'quantum' correspondente \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea (...)<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(...)\"<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(AC n\u00ba95.04.56361-9\/SC, Rel. Juiz Jos\u00e9 Luiz Germano da Silva, 4\u00aa Turma, j. 24.11.1998, DJ de 27.01.1999, p. 632)<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A indeniza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e justa \u00e9 devida aos que perderam a propriedade ou a posse. No caso dos autos isto n\u00e3o ocorreu. Os requeridos n\u00e3o eram propriet\u00e1rios e obtiveram a posse regular ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o do INCRA, pois antes apresentavam-se com posse irregular. A tese \u00e9 a mesma quer se trate de propriet\u00e1rios <\/I>a non domino<I>, quer se trate de possuidor irregular. Assim, n\u00e3o obstante j\u00e1 ter anteriormente adotado orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que seria devido o levantamento das quantias depositadas, parece que aqui a desapropria\u00e7\u00e3o foi equivocadamente manejada. N\u00e3o encontra justificativa o pagamento do 'justo pre\u00e7o' para quem ao inv\u00e9s de perder a propriedade, a adquiriu.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Por fim, cabe afirmar que n\u00e3o existe nulidade da senten\u00e7a a ser reconhecida por este Ju\u00edzo <\/I>ad quem<I>, principalmente porque o expropriado concordou com a retitula\u00e7\u00e3o ao contestar o feito, apenas insurgindo-se contra o valor da indeniza\u00e7\u00e3o. Ademais,  n\u00e3o h\u00e1 como discutir, nesse momento, a validade do decreto expropriat\u00f3rio. Por outro lado, a demora na cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 causa de decad\u00eancia, mas de abandono da causa, e assim mesmo n\u00e3o pode ser reconhecida, pois as cita\u00e7\u00f5es foram realizadas, e foi devidamente oportunizada a defesa dos expropriados.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Anoto, por pertinente, que j\u00e1 decidi em outra desapropria\u00e7\u00e3o semelhante, AC n\u00ba 2000.04.01.108541-1, julgada na sess\u00e3o do dia 30.11.2000, que os expropriados tinham direito ao levantamento dos valores depositados; todavia, melhor refletindo sobre a quest\u00e3o, retornei \u00e0 posi\u00e7\u00e3o anterior, ou seja, no caso de os expropriados terem sido retitulados no im\u00f3vel, n\u00e3o t\u00eam direito nem mesmo ao levantamento efetuado a t\u00edtulo de dep\u00f3sito pr\u00e9vio.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Isso posto, nego provimento ao apelo.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00c9 o voto.\"<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Nesse sentido, ainda, o parecer do douto agente do MPF, a fls. 751\/6, da lavra do eminente Procurador Regional da Rep\u00fablica, Dr. Domingos S\u00e1vio Dresch da Silveira, <I>verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"2.2. M\u00e9rito: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Caso superada a preliminar, melhor sorte n\u00e3o assiste \u00e0 rescis\u00f3ria quando analisado o m\u00e9rito da demanda. Isso porque n\u00e3o h\u00e1, na decis\u00e3o judicial que reconheceu v\u00e1lida a retitula\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis rurais promovida pelo INCRA, qualquer viola\u00e7\u00e3o a dispositivo legal, quer da legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, quer da ordem constitucional. Ao contr\u00e1rio, o processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria foi balizado nas normas que garantem a propriedade da Uni\u00e3o sobre as terras localizadas na faixa de fronteira, bem como nos dispositivos que impedem o enriquecimento sem causa decorrente do pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o quando ausente preju\u00edzo, conforme se demonstrar\u00e1 a seguir. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A) Inviabilidade jur\u00eddica da pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Constitui a mera retitula\u00e7\u00e3o de terras o objeto da a\u00e7\u00e3o, pois desde sempre pertencera o bem im\u00f3vel \u00e0 Uni\u00e3o (INCRA) por localizar-se em \u00e1rea de fronteira (faixa de at\u00e9 66 Km da divisa). A bem de evitar o agravamento de conflitos sociais na localidade, o Governo Federal optou por manter na terra os posseiros, procedendo \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, com outorga de T\u00edtulos Definitivos. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Com isso, dois tipos de situa\u00e7\u00e3o vem sendo debatidos em ju\u00edzo: (1) posseiros que ganharam do INCRA a propriedade e que postulam indeniza\u00e7\u00e3o; e (2) pessoas com t\u00edtulos de propriedade sem validade, dados pelo Estado do Paran\u00e1 (que nunca foram propriamente propriet\u00e1rios e jamais exerceram posse) e que tamb\u00e9m reivindicam indeniza\u00e7\u00e3o. Em qualquer dos casos, invi\u00e1vel qualquer pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria, conforme se analisa. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Quanto \u00e0 primeira situa\u00e7\u00e3o (1), na qual se enquadra o caso versado no presente feito, de posseiros que ganharam a propriedade pelo INCRA (com ou sem t\u00edtulo de dom\u00ednio inv\u00e1lido concedido pelo Estado do Paran\u00e1) e que ora postulam indeniza\u00e7\u00e3o, cedi\u00e7o reconhecer que os expropriados jamais perderam a posse de seus im\u00f3veis rurais. A situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica \u00e9, pois, de desapropria\u00e7\u00e3o para regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, o que significa que os posseiros irregulares - \"expropriados\" - tiveram a situa\u00e7\u00e3o juridicamente concertada, recebendo o dom\u00ednio de terras de que j\u00e1 detinham a posse para fins de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria. Em momento algum houve perda da posse, a n\u00e3o ser formalmente para fins de sua regulariza\u00e7\u00e3o, nunca deixando de usufruir do bem os \"expropriados\", nos termos dos art. 1196 do C\u00f3digo Civil. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Nessa perspectiva, a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria procedida pelo INCRA t\u00e3o-somente beneficiou os expropriados, que conservaram pleno uso e gozo da terra que, por fim, foi-lhes outorgada por t\u00edtulo definitivo, com conseq\u00fcente valoriza\u00e7\u00e3o por pacificados os conflitos possess\u00f3rios na regi\u00e3o. Cabe gizar que na desapropria\u00e7\u00e3o por interesse social \u00e9 imperativo o desapossamento da propriedade, para que, retirada daquele que n\u00e3o conferia ao im\u00f3vel sua fun\u00e7\u00e3o social, seja entregue a quem o fa\u00e7a. Ora, evidente que neste caso n\u00e3o houve desapropria\u00e7\u00e3o propriamente dita, pois os desapropriados n\u00e3o perderam a posse e ainda beneficiaram-se de sua titula\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Quanto \u00e0 segunda situa\u00e7\u00e3o (2), de pessoas com t\u00edtulos de propriedade sem validade jur\u00eddica concedidos pelo Estado do Paran\u00e1 (que nunca foram legalmente propriet\u00e1rios e jamais exerceram posse), igualmente mostra-se invi\u00e1vel qualquer indeniza\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova nesta Corte. A dominialidade sobre as terras em lit\u00edgio, que sempre foram da Uni\u00e3o por conta de tratar-se de \u00e1rea de fronteira, torna os t\u00edtulos de dom\u00ednio concedidos pelo Estado do Paran\u00e1 nulos de pleno direito. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A cria\u00e7\u00e3o da chamada faixa de fronteira (extens\u00e3o de terra destinada \u00e0 defesa das fronteiras do Brasil) deu-se na Constitui\u00e7\u00e3o de 1891, em seu art. 64. Como a Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o fixou-lhe a dimens\u00e3o, a doutrina p\u00e1tria considerou que fora recepcionada a Lei Imperial n\u00ba 601, que dispunha ser de 66 Km a faixa fronteiri\u00e7a. Tal normativa vigeu at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1934, que alargou a \u00e1rea de fronteira para 100 Km, no art. 166, mantendo, no entanto, o dom\u00ednio da Uni\u00e3o apenas nos 66 Km outrora fixados por for\u00e7a do art. 20 da mesma Carta Pol\u00edtica. Apenas na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1937 \u00e9 que os arts. 36, 165 e 180 distenderam a faixa de fronteira, sob dom\u00ednio da Uni\u00e3o, para 150 Km a partir dos limites do territ\u00f3rio nacional. Nesse sentido aponta Di Pietro:<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'A faixa de fronteira \u00e9 prevista desde a Lei n\u00ba 601, de 1850, cujo art. 1\u00ba fixava uma largura de dez l\u00e9guas. Essa faixa foi fixada depois em 100Km (Decreto n\u00ba 24.643, de 10-7-34, art. 29, l, c); depois passou a ser de 150Km (Decreto-Lei n\u00ba 852, 11-11-38, art. 2\u00b0, V); atualmente, \u00e9 mantida essa largura pela Lei n\u00ba 6.634, de 2-5-79'.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O dom\u00ednio das terras devolutas na faixa de 66 Km, em que se acha o im\u00f3vel objeto desta a\u00e7\u00e3o, sempre foi reconhecido \u00e0 Uni\u00e3o, o que torna as aliena\u00e7\u00f5es feitas pelo Estado do Paran\u00e1 nulas porquanto realizadas a non domino. Nesse vi\u00e9s, n\u00e3o se h\u00e1 de falar em validade do t\u00edtulo de propriedade da parte expropriada, sendo indevida qualquer pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria contra o INCRA. Se existente algum valor a ser restitu\u00eddo (eventual pagamento pelo expropriado ao Estado do Paran\u00e1 pelas terras a ele concedidas), tal discuss\u00e3o deve ser travada em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria entre o particular e o Estado Federado, pois a Uni\u00e3o n\u00e3o causou dano algum ao expropriado, nem jamais se desfez de sua propriedade. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Nesse sentido h\u00e1, inclusive, S\u00famula do Supremo Tribunal Federal, onde se afirma que \"as concess\u00f5es de terras devolutas situadas na faixa de fronteira, feitas pelos Estados, autorizam, apenas, o uso, permanecendo o dom\u00ednio com a Uni\u00e3o, ainda que se mantenha inerte ou tolerante, em rela\u00e7\u00e3o aos possuidores\" (S\u00famula STF na 477). <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Corroborando esse entendimento, o Pret\u00f3rio Excelso decidiu que o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o em feito expropriat\u00f3rio somente deve ser efetuado \u00e0quele que comprovar a titularidade do dom\u00ednio do im\u00f3vel desapropriado: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ementa: \" EMENTA: DECIS\u00d5ES JUDICIAIS PROFERIDAS EM A\u00c7\u00c3O DE EXPROPRIA\u00c7\u00c3O, DETERMINANDO A EXPEDI\u00c7\u00c3O DE PRECAT\u00d3RIOS RELATIVOS \u00c0 INDENIZA\u00c7\u00c3O FIXADA. ALEGADA OFENSA A AC\u00d3RD\u00c3O DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, QUE DECLAROU DE DOM\u00cdNIO DA UNI\u00c3O AS TERRAS ONDE SITUADOS OS IM\u00d3VEIS EXPROPRIADOS. Em nosso sistema jur\u00eddico-processual a desapropria\u00e7\u00e3o rege-se pelo princ\u00edpio segundo o qual a indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 paga sen\u00e3o a quem demonstre ser o titular do dom\u00ednio do im\u00f3vel que lhe serve de objeto (cf. art. 34 do DL n.\u00ba 3.365\/41; art. 13 do DL n.\u00ba 554\/69; e \u00a7 2.\u00ba do art. 6.\u00ba da LC n.\u00ba 76\/93). Caso em que o dom\u00ednio dos expropriados foi impugnado na pr\u00f3pria inicial da expropria\u00e7\u00e3o, sem preju\u00edzo do processamento desta, que teve o declarado objetivo de regularizar a situa\u00e7\u00e3o dos in\u00fameros ocupantes do im\u00f3vel, ent\u00e3o submetido a tens\u00e3o social. A\u00e7\u00e3o civil em curso, colimando a declara\u00e7\u00e3o de que as terras sempre foram de dom\u00ednio da Uni\u00e3o, qualidade que, de resto, fora reconhecida por decis\u00e3o do STF, no RE 52.331, em raz\u00e3o da qual resultou cancelado, por mandado judicial, o registro de que se originaram os t\u00edtulos aquisitivos dos expropriados. Absoluta inconsist\u00eancia, por outro lado, da alega\u00e7\u00e3o de que o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o valeu pelo reconhecimento da legitimidade do dom\u00ednio dos expropriados sobre o im\u00f3vel, racioc\u00ednio que, se admitido, levaria \u00e0 inocuidade do condicionamento legal do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 prova do dom\u00ednio. Tais as circunst\u00e2ncias, a expedi\u00e7\u00e3o do precat\u00f3rio determinada pelas decis\u00f5es impugnadas n\u00e3o se far\u00e1 sem ofensa ao decidido pelo STF no precedente invocado, porquanto importar\u00e1 indeniza\u00e7\u00e3o, pela Uni\u00e3o, de suas pr\u00f3prias terras. Proced\u00eancia da reclama\u00e7\u00e3o.' (STF, Rcl n\u00ba 2.020\/PR, Tribunal Pleno, Relator Ministro limar Galv\u00e3o, data do julgamento: 02\/10\/2002, publicado no DJ em 22\/11\/2002, p. 194)  <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Tendo em vista a inexist\u00eancia de qualquer dano (por (a) jamais ter havido perda da posse pelos posseiros; ou (b) nunca ter-se reconhecido a propriedade dos expropriados), n\u00e3o h\u00e1 que se falar em indeniza\u00e7\u00e3o. Conforme o art. 944, do CC, a indeniza\u00e7\u00e3o mede-se pela extens\u00e3o do dano, neste caso absolutamente inexistente. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A justa e pr\u00e9via indeniza\u00e7\u00e3o de que tratam os artigos 5\u00b0, inciso XXIV e 184 da CF\/88, para viabilizar desapropria\u00e7\u00e3o por interesse p\u00fablico, pressup\u00f5e etimologicamente \"indeniza\u00e7\u00e3o\" conforme reconhecida no C\u00f3digo Civil, ou seja, anterior exist\u00eancia de dano a ser ressarcido por nada mais representar do que recomposi\u00e7\u00e3o em pec\u00fania de um preju\u00edzo patrimonial ou personal\u00edssimo infligido. Nesse diapas\u00e3o a doutrina: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'INDENIZA\u00c7\u00c3O. Derivado do latim indemnis (indene), de que se formou no vern\u00e1culo o verbo indenizar (reparar, recompensar, retribuir), em sentido gen\u00e9rico quer exprimir toda compensa\u00e7\u00e3o ou retribui\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria feita por uma pessoa a outrem, para a reembolsar de despesas feitas ou para a ressarcir de perdas tidas. \u00c9 nesse sentido, indeniza\u00e7\u00e3o tanto se refere ao reembolso de quantias que algu\u00e9m despendeu por conta de outrem, ao pagamento feito para recompensa do que se fez ou para repara\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo ou dano que se tenha causado a outrem. \u00c9 portanto, em sentido amplo, toda repara\u00e7\u00e3o ou contribui\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, que se efetiva para satisfazer um pagamento a que se est\u00e1 obrigado ou que se apresenta como um dever jur\u00eddico. Traz a finalidade de integrar o patrim\u00f4nio da pessoa daquilo de que se desfalcou pelos desembolsos, de recomp\u00f4-10 pelas perdas ou preju\u00edzos sofridos (danos), ou ainda de acresc\u00ea-lo proventos, a que faz jus a pessoa, pelo seu trabalho.'  (gizado). <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'A indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 exig\u00eancia que se imp\u00f5e como forma de buscar o equil\u00edbrio entre o interesse p\u00fablico e o privado; o particular perde a propriedade e, como compensa\u00e7\u00e3o, recebe o valor correspondente ao dinheiro (agora, em algumas hip\u00f3teses, substituindo por t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica). Diz Marcello Caetano (1970, v. 2:960) que 'a explora\u00e7\u00e3o vem a resolver-se numa convers\u00e3o de valores patrimoniais: no patrim\u00f4nio onde estavam os im\u00f3veis, a entidade expropriante p\u00f5e o seu valor pecuni\u00e1rio'. E acrescenta que 'a garantia principal da justi\u00e7a da indeniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 na possibilidade de, em caso de desacordo, o expropriado poder recorrer aos tribunais judiciais para discutir o seu montante'<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'4.4. Elemento material: indemnizaci\u00f3n. La competencia constitucional para adquirir el dominio sobre el bien desapropiado est\u00e1 subordinada a la condici\u00f3n de que el patrimonio de su propietario quede indemne, es decir, sin dano. Una expropiaci\u00f3n sin indemnizaci\u00f3n, o com indeminizaci\u00f3n injusta importa una confiscaci\u00f3n o despojo carente de sustento jur\u00eddico. La indeminizacion es una compensaci\u00f3n econ\u00f3mica debida ai expropiado por el sacrificio impuesto en el inter\u00e9s p\u00fablico. (...) <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"a) Indemnizaci\u00f3n justa. La indemnizaci\u00f3n debe ser integralmente justa. Si bien la Constituci\u00f3n no lo declara de modo expresso, ello surge dei car\u00e1cter y sentido de la indemnizaci\u00f3n, como modo de resarcimiento. Indemnizar quiere decir dejar indemne o sin dano. Equivale a dar ai expropiado en dinero, el mismo valor de la propiedad que se le priva. La expropiaci\u00f3n no debe empobrecer ni enriquecer ai expropiado, sino dejarlo en igual situaci\u00f3n econ\u00f3mica. La indemnizaci\u00f3n, para ser justa, debe ser objetiva, actual e integral\". <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"DANO. Derivado do latim damnum, genericamente, significa todo mal ou ofensa que tenha uma pessoa causado a outrem, da qual possa resultar uma deteriora\u00e7\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o \u00e0 coisa dele ou um preju\u00edzo a seu patrim\u00f4nio. Possui, assim, o sentido econ\u00f4mico de diminui\u00e7\u00e3o ocorrida ao patrim\u00f4nio de algu\u00e9m, por ato ou fato estranho \u00e0 sua vontade. Equivale, em sentido, a perda ou preju\u00edzo. Juridicamente, dano \u00e9, usualmente, tomado no sentido do efeito que produz: \u00e9 o preju\u00edzo causado, em virtude de ato de outrem, que vem causar diminui\u00e7\u00e3o patrimonial. Assim, est\u00e1 conforme \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de PAULUS: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'Damnum et dominatio ab ademptione et quasi deminutione patrimonii dicta sunt.' <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>E, neste sentido, tanto se entende o dano aquiliano, que resulta do ato il\u00edcito, como o dano contratual, fundado na ofensa \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o contratual. Seja, pois, contratual ou aquiliano, o dano, para ser ressarc\u00edvel, merece fundar-se na efetiva diminui\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f4nio ou na ofensa de um bem juridicamente protegido, por culpa ou dolo do agente. E, dentro deste conceito, diz-se dano patrimonial, quando o preju\u00edzo \u00e9 consequente de diminui\u00e7\u00e3o patrimonial ou deteriora\u00e7\u00e3o de coisas materiais; dano moral, quando atinge bens de ordem moral, tais como a liberdade, a honra, a profiss\u00e3o, a fam\u00edlia. Ao dano material, tamb\u00e9m se diz dano real, em vista de a viola\u00e7\u00e3o representar inequ\u00edvoca danifica\u00e7\u00e3o \u00e0 coisa , em face do que perde esta a sua utilidade ou v\u00ea diminuir o seu valor.\"<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Desses conceitos verifica-se que a premissa f\u00e1tica (dano) n\u00e3o existe, inviabilizando neste caso a conseq\u00fc\u00eancia jur\u00eddica (indeniza\u00e7\u00e3o). N\u00e3o faz(em), assim, o(s) \"expropriado(s)\" jus a qualquer indeniza\u00e7\u00e3o por jamais ter(em) sofrido priva\u00e7\u00e3o de posse e\/ou propriedade imobili\u00e1ria. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Cumpre ainda assentar que o Decreto-Lei n\u00ba 1.414\/75 permitiu a ratifica\u00e7\u00e3o de posse em \u00e1reas de terras devolutas (de propriedade da Uni\u00e3o). N\u00e3o houve, assim, desapossamento algum da \u00e1rea rural \"desapropriada\". A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o gerou dano porque a autarquia federal, embora formalmente imitida na posse da gleba rural, jamais obstaculizou o uso e gozo do im\u00f3vel por parte dos \"desapropriados-retitulados\", que tiveram sua posse reconhecida e ratificada no decreto supra mencionado. Assim, descabida compensa\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, pois n\u00e3o houve desapossamento propriamente dito, mas sim ratifica\u00e7\u00e3o da posse para os verdadeiros possuidores\/ocupantes, com a concess\u00e3o - aos mesmos - de t\u00edtulo de propriedade rural. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Por via de conseq\u00fc\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 que se suscitar justa e pr\u00e9via indeniza\u00e7\u00e3o (formada pelo valor do im\u00f3vel e dano decorrente de impossibilidade de frui\u00e7\u00e3o), porquanto n\u00e3o decorreu da medida praticada pelo INCRA dano algum, antes, ao contr\u00e1rio, ou a) os posseiros deixaram de estar irregular e precariamente nas terras para virar propriet\u00e1rios - com t\u00edtulo - de \u00e1rea delimitada; ou b) os sedizentes propriet\u00e1rios, lastreados em falsos t\u00edtulos (por n\u00e3o terem sido concedidos por quem era o leg\u00edtimo propriet\u00e1rio da \u00e1rea), jamais adimpliram requisito fundamental a ensejar eventual expropria\u00e7\u00e3o, qual seja, a posse das terras. Portanto, para os posseiros de fato implicaria a indeniza\u00e7\u00e3o dupla vantagem, e para os falsamente titulados vantagem indevida. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Haveria, assim, em qualquer das duas situa\u00e7\u00f5es, enriquecimento sem causa, o que \u00e9 vedado nos termos dos arts. 884, 885 e 886, do C\u00f3digo Civil. Conforme j\u00e1 analisado, o pagamento indevido determinado judicialmente implica desequil\u00edbrio manifesto entre os fatos e suas conseq\u00fc\u00eancias, pois os expropriados ficam sendo irregularmente beneficiados. Os posseiros pela titula\u00e7\u00e3o da propriedade imobili\u00e1ria e pelo pagamento de injustificada indeniza\u00e7\u00e3o por dano inexistente; e os titulados irregularmente com indeniza\u00e7\u00e3o por \u00e1reas de terras que nunca foram nem poderiam ter sido suas da forma como se fez. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>B) Possibilidade de se discutir a quest\u00e3o dominial na a\u00e7\u00e3o expropriat\u00f3ria: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>O sistema de organiza\u00e7\u00e3o interna do Estado brasileiro, em raz\u00e3o da forte influ\u00eancia exercida pela cl\u00e1ssica teoria da reparti\u00e7\u00e3o das atividades estatais em tr\u00eas esferas distintas, outorgou ao Poder Judici\u00e1rio, atrav\u00e9s de previs\u00e3o expressa na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o monop\u00f3lio da fun\u00e7\u00e3o jurisdicional. A aplica\u00e7\u00e3o das leis aos casos concretos \u00e9, portanto, prerrogativa restrita aos juizes, \u00fanicos sujeitos habilitados para o exerc\u00edcio dessa fun\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ao exercer sua atribui\u00e7\u00e3o, o magistrado deve, de acordo com a lide posta em an\u00e1lise, adotar o procedimento mais adequado para solucion\u00e1-la, sempre atento \u00e0s peculiaridades do caso. Dessa forma, a atividade do julgador, em raz\u00e3o do estreito v\u00ednculo com a din\u00e2mica social, jamais pode ficar afastada da realidade, com vistas a garantir a cogni\u00e7\u00e3o adequada em cada situa\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, a justi\u00e7a do provimento final, conforme nos ensina Kazuo Watanabe: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>A justi\u00e7a precisa ser rente \u00e0 realidade social. Essa ader\u00eancia \u00e0 vida somente se consegue com o agu\u00e7amento da sensibilidade human\u00edstica e social dos ju\u00edzes, o que necessariamente requer prepara\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o. Para a cogni\u00e7\u00e3o adequada em cada caso, pressuposto de um julgamento justo, a sensibilidade mencionada \u00e9 um elemento imposterg\u00e1vel. N\u00e3o seria, certamente, um exagero afirmar-se que o direito \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o adequada faz mesmo parte do conceito menos abstrato do princ\u00edpio do juiz natural. (grifei) <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Em raz\u00e3o dessa l\u00f3gica, o tratamento conferido a determinadas situa\u00e7\u00f5es deve se modificar para que n\u00e3o fique distante dos interesses coletivos. Mesmo que uma demanda julgada hoje guarde semelhan\u00e7a com outra apreciada no passado, nada impede que o julgador, sens\u00edvel aos fen\u00f4menos de transforma\u00e7\u00e3o social, analise os feitos de modo diverso. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Todavia, a Lei Complementar 76\/93, editada com o objetivo de atualizar o rito adotado para as a\u00e7\u00f5es de desapropria\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o obteve o efeito esperado, tendo em vista a resist\u00eancia de alguns julgadores que continuam visualizando o processo expropriat\u00f3rio sob uma \u00f3tica muito restrita. Assim, n\u00e3o h\u00e1 qualquer exagero em se afirmar, na peculiar hip\u00f3tese dos autos, a possibilidade de, nos termos do art. 9\u00ba da Lei Complementar 76\/93, atribuir-se ampla cognoscibilidade \u00e0 a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o, para discutir a quest\u00e3o dominial nos pr\u00f3prios autos do feito expropriat\u00f3rio, com vistas a adequar o rito adotado \u00e0s particularidades da lide. Eis a reda\u00e7\u00e3o do mencionado dispositivo legal: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Art. 9\u00ba A contesta\u00e7\u00e3o deve ser oferecida no prazo de quinze dias se versar mat\u00e9ria de interesse da defesa, exclu\u00edda a aprecia\u00e7\u00e3o quanto ao interesse social declarado. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00a7 1\u00ba Recebida a contesta\u00e7\u00e3o, o juiz, se for o caso, determinar\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de prova pericial, adstrita a pontos impugnados do laudo de vistoria administrativa, a que se refere o art. 5\u00b0, inciso IV e, simultaneamente: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>I - designar\u00e1 o perito do ju\u00edzo; <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>II - formular\u00e1 os quesitos que julgar necess\u00e1rios; <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>III - intimar\u00e1 o perito e os assistentes para prestar compromisso, no prazo de cinco dias; <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>IV - intimar\u00e1 as partes para apresentar quesitos, no prazo de dez dias. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\u00a7 2\u00ba A prova pericial ser\u00e1 conclu\u00edda no prazo fixado pelo juiz, n\u00e3o excedente a sessenta dias, contado da data do compromisso do perito. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ao julgar procedente a a\u00e7\u00e3o, afastando o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o e ratificando a propriedade em favor dos expropriados, o ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo, interpretando de forma correta a norma citada, dirimiu a controv\u00e9rsia relativa ao dom\u00ednio nos pr\u00f3prios autos da a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o, submetendo o objeto da lide a um processo de cogni\u00e7\u00e3o plena e exauriente. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Saliente-se, ainda, que o caput do art. 9\u00b0 da Lei Complementar 76\/93, proibiu a contesta\u00e7\u00e3o apenas quanto ao interesse social declarado, n\u00e3o havendo, contudo, qualquer impedimento no que concerne \u00e0 discuss\u00e3o de outras controv\u00e9rsias, como, por exemplo, a produtividade do im\u00f3vel, o valor da indeniza\u00e7\u00e3o e, porque n\u00e3o, o dom\u00ednio. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Assim, a evolu\u00e7\u00e3o do direito processual civil exige uma mudan\u00e7a na maneira de encarar a a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o que, em raz\u00e3o de previs\u00e3o legal expl\u00edcita, deve ser conduzida de forma a propiciar uma cogni\u00e7\u00e3o ampla e exauriente a respeito da controv\u00e9rsia. Impedir que se discuta a quest\u00e3o dominial na a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o obstaculiza a celeridade do processo, afrontando um dos princ\u00edpios basilares do direito processual civil: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'O processo civil deve-se inspirar no ideal de propiciar \u00e0s partes uma Justi\u00e7a barata e r\u00e1pida, do que se extrai a regra b\u00e1sica de que \"deve tratar-se de obter o maior resultado com o m\u00ednimo de emprego de atividade processual\". '<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Inclusive, a possibilidade de ampla cogni\u00e7\u00e3o encontra respaldo na ordem constitucional, caracterizando-se como uma das formas que o magistrado tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para obter a efetiva tutela jurisdicional dos interesses submetidos \u00e0 sua aprecia\u00e7\u00e3o: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>'Cabe deixar anotado, aqui, que as limita\u00e7\u00f5es ao direito do contradit\u00f3rio e, por via de conseq\u00fc\u00eancia, da cogni\u00e7\u00e3o do juiz, sejam estabelecidas em lei processual ou em lei material, se impossibilitam a efetiva tutela jurisdicional do direito contra qualquer forma de denega\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, ferem o princ\u00edpio da inafastabilidade do controle jurisdicional e por isso s\u00e3o inconstitucionais (ofensa ao inciso XXXV do art. 5\u00b0 da CF 88; na CF anterior, art. 153, \u00a7 4\u00b0)'.<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I> <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Lapidar \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o da Corte Constitucional no que concerne \u00e0 efic\u00e1cia da legisla\u00e7\u00e3o que disciplina o rito das a\u00e7\u00f5es de desapropria\u00e7\u00e3o: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Ementa: \"REFORMA AGR\u00c1RIA. IM\u00d3VEL RURAL PARA ESSE FIM DECLARADO DE INTERESSE SOCIAL. MANDADO DE SEGURAN\u00c7A POR MEIO DO QUAL SE POSTULA SEJA CONFERIDO EFEITO SUSPENSIVO \u00c0 MEDIDA DE PRODU\u00c7\u00c3O ANTECIPADA DE PROVA PERICIAL, DESTINADA \u00c0 DEMONSTRA\u00c7\u00c3O DE QUE SE TRATA DE IM\u00d3VEL PRODUTIVO, IMUNE \u00c0 DESAPROPRIA\u00c7\u00c3O. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Manifesto desprop\u00f3sito da pretens\u00e3o, posto que a prova obtida pelo meio indicado dever\u00e1 ser oferecida, ou mesmo produzida, no bojo da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o, hoje de amplo car\u00e1ter cognitivo, como previsto no art. 9\u00b0. Da LC n\u00ba 76\/93. (grifei) <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Mandado de seguran\u00e7a indeferido.'<\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>(STF, MS n\u00ba 22698-6\/MG, Tribunal Pleno, Relator Ministro Ilmar Galv\u00e3o, data da decis\u00e3o 05\/06\/1997). <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Conclui-se, assim, que n\u00e3o houve desapropria\u00e7\u00e3o, mas sim ratifica\u00e7\u00e3o da posse e retitula\u00e7\u00e3o dos autores, n\u00e3o havendo perda de propriedade e, conseq\u00fcentemente, n\u00e3o se podendo falar em indeniza\u00e7\u00e3o. <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>3. CONCLUS\u00c3O: <\/I>"},{"tipo":"CI","txt":"<I>Por essas raz\u00f5es, o MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO FEDERAL opina pelo provimento dos embargos infringentes, para que prevale\u00e7a o entendimento externado nos votos vencidos.\" <\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Por esses motivos, voto por dar provimento aos embargos infringentes para restabelecer o voto vencido, inclusive quanto \u00e0 sucumb\u00eancia."},{"tipo":"PN","txt":"\u00c9 o meu voto."},{"tipo":"PN","txt":"<B>Des. Federal JO\u00c3O SURREAUX CHAGAS (Presidente da 2\u00aa Se\u00e7\u00e3o):<\/B>"},{"tipo":"PN","txt":"Discute-se, aqui, nestes embargos infringentes, acerca da rescis\u00e3o de ac\u00f3rd\u00e3o de Turma desta Corte que negou provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o do ora embargante em processo de desapropria\u00e7\u00e3o para fins de reforma agr\u00e1ria que afastou o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel retitulado."},{"tipo":"PN","txt":"Tendo sido proferido o ac\u00f3rd\u00e3o por maioria de votos, foram opostos embargos infringentes pelos demandantes."},{"tipo":"PN","txt":"Em decorr\u00eancia do empate na vota\u00e7\u00e3o no julgamento dos embargos infringentes, pedi vista dos autos para proferir voto de desempate, nos termos do artigo 141, par\u00e1grafo \u00fanico, do Regimento Interno."},{"tipo":"PN","txt":"Sem adentrar, nesse momento, em quaisquer discuss\u00f5es acerca do cabimento - ou n\u00e3o - da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria (origin\u00e1ria dos presentes infringentes), conven\u00e7o-me, sobremaneira, acerca dos fundamentos trazidas pela E. Des. Federal Marga Inge Barth Tessler quando do julgamento da apela\u00e7\u00e3o c\u00edvel relativamente ao ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo (trasladado \u00e0s fls. 489\/94), que ora transcrevo a sua parte essencial, <I>in verbis<\/I>:"},{"tipo":"CI","txt":"<I>\"(...) A ideniza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e justa \u00e9 devida aos que perderam a propriedade ou posse. No caso dos autos isto n\u00e3o ocorreu. Os requeridos n\u00e3o eram propriet\u00e1rios e obtiveram a posse regular ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o do INCRA, pois antes apresentavam-se com posse irregular. A tese \u00e9 a mesma quer se trate de propriet\u00e1rios a <\/I>non domino<I>, quer se trate de possuidor irregular. Assim, n\u00e3o obstante j\u00e1 ter anteriormente adotado orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que seria devido o levantamento de quantias depositadas, parece que aqui a desapropria\u00e7\u00e3o foi equivocadamente manejada. N\u00e3o encontra justificativa o pagamento do \u00b4justo pre\u00e7o\u00b4para quem ao in\u00e9s de perder a propriedade, a adquiriu. (...).\"<\/I>"},{"tipo":"PN","txt":"Nesse sentido, ali\u00e1s, h\u00e1 importante precedente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a no sentido de que, <I>\"promovida a regulariza\u00e7\u00e3o, os desapropriados acabam contemplados com o t\u00edtulo de dom\u00ednio sobre a pr\u00f3pria \u00e1rea objeto de desapropria\u00e7\u00e3o, sem qualquer \u00f4nus e sem jamais terem sido privados da posse ou do uso normal do im\u00f3vel no curso do processo desapropriat\u00f3rio, n\u00e3o h\u00e1 fundamento jur\u00eddico para pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o\"<\/I> (REsp 614.738\/PR, 1\u00aa Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 14.2.2008)."},{"tipo":"PN","txt":"Ante o exposto, em voto de desempate, voto no sentido de <B>dar provimento<\/B> aos embargos infringentes. Lavrar\u00e1 o ac\u00f3rd\u00e3o o relator."},{"tipo":"CE","txt":"direito processual civil"},{"tipo":"CE","txt":"a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria"},{"tipo":"CE","txt":"pressupostos para o seu ajuizamento"}]